Natal ou Páscoa?

Há quem considere o Natal a data máxima do cristianismo, quando se celebra o nascimento de Jesus…

Há outros que preferem a Páscoa, quando se celebra Sua ressurreição…

Nascer, de fato, é menos surpreendente do que ressucitar, apesar das circusntâncias que marcaram o nascimento de Jesus…

Quer seja Natal, quer seja Páscoa, o importante mesmo é lembrar-se de Jesus e o propósito de sua vida.

Feliz Natal!

Mais um Triste Capítulo na História do Menino Sean

Quarta-feira, dia 16, a justiça brasileira finalmente julgou o processo de guarda do menino e concedeu ao pai o direito de guarda, determinando que a família da finada mãe-ladra devolvesse o menino ao pai em um prazo de 48h.

Teria sido um presente de Natal e tanto, se o sr. ministro do STF não tivesse decidido prestar um desserviço à justiça (e um favor às famílias Lins e Silva e Bianchi). O ministro Marco Aurélio Mello concedeu mais uma liminar à familia da mãe suspendendo a decisão do TRF, prorrogando a entrega do menino até que um habeas corpus dela seja julgado.

O habeas corpus solitcita que o menino de oito anos, há cinco afastado arbitrariamente de seu pai, seja ouvido quanto ao desejo de retornar ao convívio com o pai nos EUA, ou o desejo de ficar no Brasil. O habeas corpus pede ainda que seja concedida uma liminar em vista “ao perigo na demora da apreciação judicial”…

Meu Deus… Que absurdo! Há cinco anos a justiça tem sido muito mais do que morosa, tem sido omissa em relação ao direito de guarda do pai. E justamente essa morosidade tem sido usada como justificativa para que a injustiça se perpetue, uma vez que a família alega que por “razões socioafetivas” o menino deve permanecer no Brasil (afastado de seu pai).

Em outras palavras, a mãe cometeu um crime, roubando e mantendo o filho longe do pai. A justiça se omitiu durante cinco anos. Agora, justamente esses cinco anos de afastamento são o argumento usado pela família da mãe para manter o menino longe do pai. É impressão minha ou a própria justiça deu à família da mãe o argumento para que a a injustiça se perpetuasse?

Está mais do que provado e evidente que o menino não tem idade suficiente para se manifestar, e mesmo que tivesse, depois de passar mais da metade da vida afastado de seu verdadeiro pai, sendo, certamente manipulado contra ele, que relevância teria sua opinião?

Agora a justiça vai entrar em recesso e o julgamento do habeas corpus será adiado para 2010. E assim a injustiçai vai se confirmando… O atraso de vida vai sendo estendido… O crime cometido pela mãe, que infelizmente não poderá mais pagar pelo que fez, vai continuando impune, e suas vítimas (pai e filho) permanecem pagando por isso.

É revoltante ver a justiça brasileira sendo conivente com a alienação parental explícita iniciada pela mãe do menino Sean, e ampliada por sua família e pela família do segundo marido dela…

Será que se a família do novo marido dela não tivesse o sobrenome que tem, Sean já estaria vivendo feliz e em paz ao lado de seu pai nos Estados Unidos?

Meu Deus! Será que um erro pode justificar outro??? Será que o coronelismo vai imperar mais uma vez nesse país? Espero que não…

Isso me fez lembrar o caso do menino Pedrinho em Goiás, que foi roubado, ainda recém nascido, da maternidade por Vilma Martins, que o registrou e criou como se fosse seu filho natural. Mesmo após vários anos de completo afastamento dos verdadeiros pais, a justiça foi feita. Em 2003 essa mulher foi condenada a prisão, e o filho foi restituído aos seus verdadeiros pais.

O processo de restauração desse relacionamento, que de fato nunca havia sido estabelecido, foi muito difícil, mas não impossível…

Será que a justiça brasileira vai continuar dificultando esse processo de restauração do relacionamento do menino Sean e seu pai?

Será que ninguém no STJ está percebendo que o tempo corre em favor do alienador, e que as vítimas (o pai e o filho) estão sendo punidas enquanto a família da mãe e de seu segundo marido lançam mãe de manobras com o único intuito de protelar o cumprimento da decisão judicial, apenas para continuar usando o fator tempo como argumento para que o menino não seja rerstituído de sua vida?

Espero que Sean e seu pai possam não somente ter sua convivência restabelecida o mais breve possível, mas também que sejam ressarcidos de todas as formas possíveis pelos danos psicológicos que foram causados aos dois…

Em São Paulo, 18 de Dezembro de 2009.

 

Software Pra Que Te Quero

Este artigo foi escrito em 2003 e publicado em meu antigo site www.professorapaloma.com.br. Há cerca de um ano meu site foi desativado e este artigo saiu do ar. Em breve meu site será reativado. Enquanto isso, publico-o aqui, para quem quiser relembrá-lo.

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Existe uma grande quantidade de software disponível no mercado atualmente, e a tendência é que esse número cresça cada vez mais. Esses softwares surgem com uma velocidade tão grande e para aplicações tão diversas que fica muito difícil classificá-los para entendê-los. Nem mesmo as pessoas mais “antenadas”, conseguem acompanhar esse processo, e o que se vê é que muitos sequer ouviram falar acerca de determinados softwares, que dirá saber a aplicação deles.

No meio educacional, muito se ouve falar, por exemplo, sobre “software de autoria”, porém ainda não se chegou a um consenso sobre o que seja de fato.

Para alguns, software de autoria são as linguagens de programação, como as primitivas FortranCobolAssemblerPascal e Basic, e outras mais novas, como CVisual BasicDelphiCold Fusion e etc., através das quais é possível se criar qualquer tipo de software.

Normalmente, quando da criação de algum software educacional, os analistas programadores desenvolvem o programa e se utilizam de uma consultoria educacional para contribuir com o projeto. Em alguns casos, infelizmente mais raros, forma-se uma equipe multidisciplinar composta, entre outros profissionais, e de acordo com a proposta do software, de educadores e analistas programadores, para que cada um contribua com sua especialidade e juntos construam um produto de melhor qualidade. Isso ocorre também em qualquer outra área, como na medicina, direito e etc.

Ocorre que, com a democratização da informática, existe uma tendência mundial de que usuários comuns passem a desenvolver alguns softwares. Essa demanda forçou o próprio mercado tecnológico a desenvolver algumas ferramentas simples que possibilitam a esses usuários comuns a criação de softwares específicos menos complexos. Essas ferramentas também são consideradas “softwares de autoria”, pois são “abertas”, possibilitando a criação de outros softwares.

Em se tratando da área educacional, poderíamos citar o Logo (Linguagem Logo), como sendo um precursor desse tipo de software. Hoje em dia temos o Visual Class e o Everest entre outros, que possibilitam ao usuário comum a criação de softwares simples, contendo jogos, imagens, filmes, sons e texto. Com essas ferramentas é possível também se criar páginas de Internet.

Existem outras ferramentas que permitem criação por parte do usuário, porém são consideradas um pouco mais limitadas, por se restringirem a uma aplicação específica. Dentre as mais utilizadas na área educacional poderíamos destacar o Clic (software espanhol que possibilita a criação de alguns jogos), HQ (software que permite a criação de histórias em quadrinhos), Nestor (software de construção de páginas da WEB que oferece alguns recursos adicionais como mapa de navegação) e também poderíamos citar o FrontPage (opcional no pacote Microsoft Office, que é um dos editores HTML mais utilizados para construção de páginas de Internet).

Além de todos os softwares citados, vale a pena destacar o bom e velho PowerPoint, como uma excelente opção para criação, pois além de oferecer inúmeros recursos para construção de telas interativas, com hiperlinks, imagens, vídeos, sons e textos, ele é integrante do pacote Office, o que significa que praticamente todos os usuários já o possuem.

Já que estamos falando do Office, porque não lembrar dos outros famosos e utilíssimos aplicativos da família Microsoft, que podem ser ótimos aliados no desenvolvimento de projetos pedagógicos, principalmente quando integrados a outros softwares. Entre eles podemos destacar o Word (editor de texto ultra-sofisticado), Excel (planilha eletrônica com inúmeros recursos gráficos), o Access (banco de dados SQL) e até diversos softwares que acompanham o próprio Windows, como o Bloco de Notas (simples processador de textos), o Paint (editor de imagens simples, mas com boas possibilidades de uso), o consagrado navegador Internet Explorer, o poderoso tocador de mídias diversas Windows Media Player e o ousado Messenger (para comunicação instantânea utilizando-se imagens e sons).

São tantos softwares, tantos concorrentes, tantas possibilidades que o usuário comum facilmente se sente desnorteado, sem contar com a gama quase ilimitada de software freeware (programas gratuitos), shareware (programas gratuitos para se testar, mas que precisam ser adquiridos) ou mesmo adware (programas gratuitos suportados por anúncios e propagandas). Além disso, existem softwares para diversas plataformas e sistemas operacionais, só para citar os mais famosos, temos o próprio Windows com todas as suas versões disponíveis, o Linux, o BeOS, o Macintosh (apple), o Unix, o OS/2 e etc.

Para entender um pouco a diversidade e abrangência dos softwares basta acessar um site popular de downloads (como o Tucows), e verificar que lá existem mais de 30.000 softwares prontos para serem testados, utilizados e comprados.

Saber da existência dessas ferramentas simplesmente não basta para que se possa começar a desenvolver projetos, pois é necessário aprender a utilizá-las. Felizmente, junto com o surgimento a cada dia de novas ferramentas para criação, vêm também os chamados tutoriais, que são softwares auto-explicativos, que ensinam o usuário a utilizar outros softwares. Hoje em dia existem tutoriais aos montes que explicam acerca de praticamente todos os softwares existentes no mercado. Além disso, existem as listas de discussões na Internet, onde os usuários trocam informações sobre esses softwares e dessa forma aprendem tudo o que precisam.

Essa experiência de democratização do conhecimento é realmente fantástica! Os ambientes virtuais criaram uma espécie de rede de solidariedade, onde os usuários se ajudam mutuamente e não encontram barreiras para avançar nas descobertas e dominar todas essas ferramentas.

Diante de tantas possibilidades, basta agora decidir o que se quer fazer, encontrar a ferramenta mais adequada, aprender a utilizá-la e pronto, qualquer projeto já poderá se tornar real!

Em São Paulo, 13 de Dezembro de 2009.

Projeto Minha Terra

Concedi uma entrevista muito especial, recentemene, aos alunos da EMEF Padre Aldo Tofori, da Rede Municipal de São Paulo. Os alunos estavam trabalhando em um projeto do Educarede, o Minha Terra.

A professora orientadora do projeto, Beatriz Helena Rusu, amiga querida de longa data, me enviou um e-mail com a ficha do projeto e a descrição de seu desenvolvimento, que eu transcrevo a seguir:

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  • Projeto: Minha Terra 2009
  • Tema: Cidade e Cultura – Cultura Digital
  • Emef Padre Aldo Da Tofori
  • Nome da equipe: “Virtual ou Real?”
  • Professora orientadora da sala de leitura: Beatriz Helena Rusu
  • Alunos monitores da 7ª série
    • Adriana Porto
    • Gustavo Alves
    • Gustavo Silva
    • Larissa Ariana
    • Marcos Rodrigues

Começamos o projeto com 9 alunos, 3 desistiram e 1 mudou de escola.

Os alunos fizeram algumas leituras e pesquisas sobre as tecnologias e após fizeram uma pesquisa de campo (mostra), 40 questionários. A pesquisa nos mostrou que a comunidade utiliza-se de computadores, celulares e Internet. Apesar de nem todos ainda terem acesso ao computador e à Internet, usam LAN House e Telecentros mantidos pela prefeitura.

Os alunos fizeram resumos de textos que leram e utilizaram o PowerPoint para publicar gráficos dos dados tabulados dos questionários. Todos os textos e arquivos elaborados foram publicados na arquivoteca do Educarede.

Os alunos formularam as questões da entrevista para você [no caso eu, Paloma] e também para um jovem que trabalha numa lan house do bairro.

Publiquei dois vídeos no Youtube e no Canal Minha Terra 2009 (do rapaz da lan house e de um texto escrito por um aluno monitor).

Para encerrar este projeto eles estão fazendo uma apresentação para os colegas: intervenção – como navegar, quais sites são confiáveis e, o principal, utilizar a tecnologia para a aprendizagem e não apenas para lazer (jogos), e esclarecer que tecnologia não são apenas os aparelhos eletrônicos/digitais que conhecemos, que a tecnologia existe desde a idade da pedra, quando o homem inventou uma ferramenta ou quando o homem pensou em preparar a terra para o plantio.

O tema que os meus alunos escolheram era muito amplo….. ficou dificil pensar na intervenção a ser feita com a comunidade.

Mas valeu a pena…. um aprendizado e tanto!

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Me emociona ver um relato como esse, real, apaixonado. Que bom que existem projetos interessantes como esse, que transformam a aprendizgem escolar em uma experiência significativa, rica, vinculada ao mundo real, cujo produto é algo muito mais útil do que um texto para um único leitor ver, o professor.

Os alunos pesquisaram, aprenderam e agora estão compartilhando sua aprendizagem com outros alunos, buscando contribuir com a aprendizagem deles também.

Parabéns, Adriana, Gustavos, Larissa e Marcos. Parabéns, Bia. Parabéns equipe Minha Terra – Educarede. Parabéns à Secretaria de Educação do Município de São Paulo. Vocês estão fazendo a diferença. Estão mostrando que é possível uma educação diferente hoje. O futuro chegou ontem!

Transcrevo, a seguir, a íntegra da entrevista que concedi aos alunos. Soube que ela também será publicada no site do Minha Terra. Quando eu tiver o link, coloco aqui também.

Em São Paulo, 10 de Dezembro de 2009.

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Equipe: “Virtual ou Real?” – O que significa Internet para você?

Profª Paloma

Sem pensar na definição de Internet, sobre a qual falarei em seguida, Internet, para mim, significa a tão almejada possibilidade de acesso irrestrito à informação e comunicação. Finalmente a pessoa comum pode publicar e acessar informações, bem como se comunicar individual ou coletivamente com qualquer pessoa ou grupo no planeta.

Antes da Internet, poucas pessoas detinham o poder de informação e comunicação. As informações eram produzidas apenas por poucos autores que podiam publicar suas idéias nas enciclopédias, livros, revistas e jornais. As emissoras de televisão e rádio também tinham em suas mãos os meios para levar informações às pessoas, mas poucos podiam escolher que tipo de informação seria veiculado. E mesmo assim, a comunicação, nesses casos, era unilateral. Poucos falavam, muitos ouviam, e os que ouviam não podiam interagir com os que falavam.

Os meios de comunicação mais populares que permitiam interação eram as cartas, que só podiam conduzir textos e imagens, ou o telefone, que só podia conduzir sons. Mesmo assim, esses meios só permitiam a comunicação entre duas pessoas.

A Internet, que é por definição uma grande rede que permite a conexão de computadores no mundo inteiro, representou uma revolução nas formas de acesso à informação e comunicação das pessoas.

Por meio dela hoje é possível o acesso às informações e à comunicação em diversos formatos e direções. A informação na Internet se apresenta em forma de texto, som, imagem estática (fotografia), e vídeo (imagem dinâmica), tudo isso separado ou integrado. Além disso, a comunicação via internet pode se dar entre duas pessoas, de uma para várias, de várias para uma, e de várias para várias. Ou seja, em todas as direções possíveis.

Mas o melhor é a possibilidade de qualquer pessoa se tornar produtor de conhecimento, formador de opinião, autor de publicações. A democratização da informação e da comunicação gerou novos desafios. Hoje, não é difícil encontrar a informação, mas o excesso de informação exige de nós a capacidade de organizar, selecionar, analisar e avaliar a informação para poder aplicá-la em nossa vida, transformando a informação em conhecimento, dando, assim, sentido para a informação.

Equipe: “Virtual ou Real?” – O que a tecnologia afetou ou afeta a vida das pessoas?

Profª Paloma

Antes de falar sobre o impacto da tecnologia na vida das pessoas, creio que seja importante lembrar o que é a tecnologia.

Tudo aquilo que não existia até que o homem o inventasse, é tecnologia. Desde os primórdios o homem cria recursos, inventa coisas, com o intuito de resolver problemas do seu dia-a-dia.

Essas invenções não são necessariamente objetos tecnológicos, como a roda, as ferramentas, etc. Mas são também recursos com a escrita e os números, sem os quais não é possível imaginar como viveríamos hoje.

Essas foram, talvez, as primeiras tecnologias criadas, e sem dúvida mudaram a vida da humanidade, pois influenciam decisivamente a nossa vida até os dias atuais. Depois disso muitas, mas muitas tecnologias, mesmo, foram criadas. Algumas existiram durante um tempo, e depois desapareceram, por não terem mais utilidade. Outras existem até hoje, e novas tecnologias foram criadas a partir delas.

A eletricidade, por exemplo, é uma grande solução tecnológica, a partir da qual muitas outras tecnologias foram criadas. Quantos objetos tecnológicos nós temos hoje em nossas casas que dependem da eletricidade para funcionar? Como viveríamos hoje sem esses equipamentos ou sem a eletricidade?

Eu sei que ainda há lugares em que não se vive com energia elétrica, mas os hábitos de vida das pessoas que vivem em lugares assim são completamente diferentes dos nossos.

Por isso, quando pensamos na diferença que a tecnologia faz na vida das pessoas, devemos primeiro pensar em quem são essas pessoas, onde e como elas vivem, e aí podemos avaliar as contribuições da tecnologia.

É lógico que, embora ela seja criada para resolver problemas, às vezes a tecnologia causa mais problemas do que resolve. Especialmente porque algumas tecnologias sofisticadas custam muito caro para serem desenvolvidas. E normalmente quem está disposto a pagar por isso são pessoas ou governos que têm interesses às vezes, digamos, não tão nobres. As armas, as bombas e outros recursos bélicos (recursos usados na guerra), por exemplo, são tecnologias que mais destroem do que constroem algo de bom para as pessoas, embora elas sejam desenvolvidas sob o pretexto de proteger as nações umas das outras.

Os remédios e os procedimentos cirúrgicos que salvam vidas também são tecnologias “do bem”, mas muitos remédios são utilizados como drogas, e acabam matando as pessoas. Vejam o exemplo do Michael Jackson.

A própria Internet foi uma tecnologia criada na guerra, para permitir a troca de informações do exército americano. Depois de atender aos objetivos iniciais, ela acabou sendo disponibilizada às universidades e depois ao restante da população, e tem servido tanto para coisas boas quanto para coisas ruins, como a pedofilia, os roubos de identidade e informações bancárias, etc.

Sem dúvida a tecnologia afeta direta e intensamente a vida de cada um de nós. Precisamos cuidar para não deixar que ela nos prejudique, mas sim que nos ajude. Para tirar melhor proveito dela, precisamos conhecê-la. E precisamos estar bem informados quanto aos riscos a que ela nos expõe. A informação é nossa principal arma.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Porque você se interessou pela área da tecnologia e comunicação?

Profª Paloma

Eu sempre fui professora, sempre trabalhei na área da educação. Entretanto, durante um pequeno período em minha vida, acabei indo trabalhar em uma empresa pequena que vendia computadores, instalava redes, criava sites, e oferecia suporte técnico em informática nas empresas. Eu trabalhava na área administrativa e financeira, mas em uma empresa pequena a gente acaba fazendo de tudo, e aos poucos eu fui aprendendo a usar bem a tecnologia.

Às vezes eu até ficava incomodada, pois eu me sentia como um peixe fora d’água, como alguém que estava perdendo tempo longe da área em que realmente gostava de trabalhar, que era a educação.

Até que um dia eu voltei a dar aulas em uma escola da rede pública. Nessa época havia um projeto de implantação de laboratórios de informática em todas as escolas daquela rede, e me convidaram a fazer parte da equipe que iria trabalhar com tecnologia.

No começo eu não conseguia perceber muito bem como a tecnologia poderia ajudar a melhorar a aprendizagem dos alunos, porque a minha experiência era com o uso da tecnologia na empresa, e não na escola.

Por outro lado, eu era uma das poucas professoras daquela rede que entendia razoavelmente bem de tecnologia, e esse conhecimento me ajudou a ter mais facilidade no desenvolvimento do trabalho pedagógico com as novas tecnologias da informação e comunicação.

Assim eu comecei a estudar bastante sobre educação e tecnologia, e me apaixonei de vez por essa área quando percebi que a tecnologia realmente poderia transformar a aprendizagem dos alunos, e mesmo dos professores, em uma experiência mais gostosa, rica, agradável, significativa.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Como trabalhar com o virtual sem se desligar do real?

Profª Paloma

A idéia de que o virtual está desvinculado do real é um mito, que precisa ser desmitificado.

O mundo virtual nem sempre é desvinculado, ou separado, do mundo real. Quando utilizamos os meios virtuais para nos comunicar com outras pessoas, por exemplo, apenas o meio é virtual, mas a comunicação e as pessoas com as quais nos comunicamos são reais.

Quando usamos o meio virtual para ler jornais ou artigos, estamos apenas usando o virtual como meio, mas as notícias e as idéias que lemos e discutimos falam do mundo real, das pessoas que estão por trás daqueles textos, imagens, etc.

Por isso, o fato de trabalharmos com o virtual, por si só, não é uma ameaça á nossa vida real.

Há, entretanto, duas situações em que o virtual pode afastar as pessoas do real.

Uma é quando a pessoa simplesmente não consegue realizar outra atividade, sem ser utilizar o computador. Há pessoas que passam horas, ou até dias, na frente do computador, e começam a ter uma série de problemas.

Entretanto esse não é um problema da relação do virtual com o real. Esse é um problema de falta de equilíbrio na vida. Tudo o que é demais, faz mal. Tudo o que é exagerado, prejudica. Mesmo as coisas boas.

Alguém que passa o dia inteiro comendo, ou jogando cartas, ou bebendo, ou brincando, ou realizando qualquer outra atividade, que se torne a única atividade que a pessoa pratica, certamente terá problemas sérios.

Precisamos manter um equilíbrio saudável em relação à rotina de atividades que estabelecemos para nós. Equilíbrio, aliás, é um cuidado que temos de ter em todas as áreas da nossa vida.

A outra situação em que o virtual pode afastar a pessoa do real é quando, em determinados ambientes virtuais, a pessoa cria uma identidade falsa, e acaba gostando tanto de poder ser aquela personagem que ela criou, que passa mais tempo naquele ambiente virtual, sendo quem não é, do que no mundo real, sendo quem de fato é. Essa é uma situação muito perigosa, em que a pessoa precisa de ajuda psicológica para superar sua dificuldade.

Fora essas duas situações, devemos utilizar todos os benefícios do mundo virtual sem culpa, “sem medo de ser feliz”.

Equipe: “Virtual ou Real?” – O uso exagerado da internet pode prejudicar? Por quê?

Profª Paloma

Acho que acabei já respondendo a essa questão.

Tenho por princípio que o uso exagerado de qualquer coisa é prejudicial. E isso não é diferente em relação à Internet.

O outro ponto é que a Internet, assim como qualquer tecnologia, não é boa nem má. O uso que se faz da tecnologia é que pode ser prejudicial ou benéfico. Cabe a nós, escolhermos como queremos usá-la.

As crianças e os adolescentes precisam de bastante orientação, pois são os principais alvos de pessoas mal intencionadas que usam a Internet para prejudicar os outros, embora os adultos também o sejam.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Você acha que as pessoas utilizam a tecnologia/internet/comunicação adequadamente?

Profª Paloma

Como eu já disse, creio que há aqueles que usam bem, aqueles que usam mal e há os que nem usam.

Tenho trabalhado ao longo dos últimos anos para que as pessoas que não usam descubram na tecnologia, na Internet, nos meios virtuais de informação e comunicação, uma ferramenta empolgante de aprendizagem e exploração do mundo. E os que já as usam, que aprendam a usar cada vez melhor.

Esse é um dos meus principais objetivos.

Equipe: “Virtual ou Real?” – O que você diria para as pessoas que gostariam de seguir a mesma profissão?

Profª Paloma

Eu diria duas coisas:

Primeiro que é uma profissão muito interessante, onde a gente vive aprendendo coisas novas, pois a tecnologia evolui com uma rapidez incrível. Por isso para se trabalhar nessa área a pessoa precisa gostar de aprender, de fuçar, de descobrir, de explorar o desconhecido.

Em segundo lugar eu diria que um dos escopos do meu trabalho, especificamente a formação de professores para o uso da tecnologia, está em risco extinção. Esse trabalho só existe porque ainda há professores que não sabem usar a tecnologia. Entretanto, dentro de poucos anos, quando aqueles que hoje são alunos, crescerem e se tornarem professores, então meu trabalho não será mais necessário.

A geração interativa, a geração digital, que nasce mergulhada no mundo da tecnologia, não terá a menor dificuldade para lidar com esses recursos.

Quando isso acontecer, o foco do meu trabalho continuará sendo o pensar em formas de utilizar, ou até mesmo desenvolver, novas tecnologias capazes de melhorar cada vez mais a qualidade da educação.

Equipe: “Virtual ou Real?” – O que você acha sobre a nanotecnologia?

Profª Paloma

É uma tendência. Os primeiros computadores eram imensos, ocupavam salas imensas. A evolução da tecnologia foi no sentido de aumentar a potência na mesma proporção em que diminuía o tamanho dos equipamentos.

Hoje a nanotecnologia é uma realidade que saiu das telas dos filmes de ficção para ocupar os nossos computadores, vídeo games, celulares e vários outros equipamentos.

A nanotecnologia não está presente apenas na informática, mas na medicina, na farmácia, na química, física, etc. Tecnologias cada vez menores e mais eficientes caminham nessa direção.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Como você acha que será o futuro pensando nos avanços tecnológicos e nas relações interpessoais e profissionais?

Profª Paloma

Pensando especificamente na questão das relações interpessoais e profissionais, e na influência que os avanços tecnológicos exercem sobre essas questões, podemos dizer que o futuro será daqueles que melhor souberem utilizar a tecnologia na construção de relacionamentos.

De um lado, a tecnologia hoje já aproxima as pessoas, permitem que umas conheçam melhor as outras, permite a interação, a colaboração entre elas. Por isso as redes sociais como Facebook, Twitter, Orkut, são um fenômeno que não param de crescer.

Por outro lado o mundo está se tornando cada vez mais complexo. Os conhecimentos que existem hoje são muito mais diversificados do que os que existiam há anos atrás. O mercado precisa lidar com essa diversidade. Por isso o especialista de uma única área cada vez menos atende às demandas do mercado. É impossível um único profissional dar conta de entender de tudo o que ele precisaria entender para atender à necessidade do mercado.

Por isso a tendência é que, cada vez mais, as pessoas trabalhem em equipe, articulando diversos saberes, diversas experiências. Por isso o futuro será daqueles que melhor souberem lidar com as pessoas, que melhores habilidades de comunicação desenvolverem, que souberem trabalhar em equipe, que souberem exercer liderança descentralizada, que souberem articular a equipe em torno de um objetivo comum.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Como você acha que será o mercado de trabalho futuramente?

Profª Paloma

Como eu mais ou menos já disse, o mercado de trabalho exigirá cada vez mais profissionais criativos, com uma visão mais ampla do negócio, e cada vez menos profissionais super especializados. Isso significa que não basta os jovens aprenderem muito sobre um determinado assunto. Eles devem aprender um pouco de tudo, embora devam, também, se aprofundar em algumas áreas que considerem mais interessante, que tenham maior interesse.

Aliás, esse é um dos segredos do sucesso profissional e até pessoal. Vocês que são jovens têm em suas mãos a possibilidade de escolher trabalhar em algo de que realmente gostam. Se tiverem essa oportunidade, não a desperdicem. Não percam o tempo de vocês fazendo algo de que não gostam, só para fazer alguma coisa… Isso impactará diretamente em sua realização profissional e pessoal, em sua qualidade de vida.

Não importa qual seja a área. Os jovens devem procurar ser bons naquilo que escolherem fazer, e serão bem sucedidos. Ou melhor: deverão escolher fazer aquilo em que são bons – criativamente encontrando formas de ganhar dinheiro fazendo aquilo de que gostam e em que são bons.

Os profissionais do futuro deverão saber exercer liderança e trabalhar em equipe. Deverão saber resolver problemas, e isso com autonomia. Por isso as habilidades e competências relacionadas à busca e análise de informações, bem como a comunicação serão muito importantes. Sem informação e comunicação não é possível a resolução de problemas, nem a construção de relacionamentos. E aqui entram as tecnologias da informação e comunicação.

O Brasil deve experimentar um crescimento bastante interessante nos próximos anos, seja pela estabilidade econômica, seja pela estabilidade política. Esse cenário tem trazido conquistas importantes para o país, como a Copa do mundo e as Olimpíadas. Quem se preparar para crescer junto com o país, encontrará espaço.

Não deixem as oportunidades passarem…

Equipe: “Virtual ou Real?” – Você poderia abordar um pouco sobre os temas: tecnologia e os jovens de hoje.

Profª Paloma

A despeito do conceito de tecnologia que eu falei há pouco, alguém disse uma vez que “tecnologia é tudo aquilo que foi inventado depois que você nasceu”… Essa afirmação é bastante interessante. De fato há muita tecnologia presente na vida das pessoas que, por já fazer parte do cotidiano, nem tem mais cara de tecnologia.

A energia elétrica, como eu mencionei, está tão presente na maioria absoluta das casas das pessoas, que nós quase nem notamos sua presença (a não ser em tempos de apagão…), por isso não nos referimos à eletricidade como tecnologia, embora ela seja.

Um dia desses uma professora, para quem eu dei um curso, compartilhou que quando ela era pequena uma tia dela a elogiava bastante dizendo que ela era muito inteligente e esperta, pois sabia lidar com “aqueles botões complicados”. Essa frase é bastante comum também hoje em dia quando vemos crianças pequenas manejando com grande habilidade um celular ou um computador. Entretanto os botões a que a tia daquela professora se referia eram os do liquidificador, que era uma grande novidade tecnológica na época.

Portanto, aquilo que na escola chamamos de “novas tecnologias” (normalmente os computadores), praticamente nem é considerado tecnologia para os alunos de hoje.

Isso porque o computador foi popularizado no Brasil, seguramente, há mais de 15 anos. Portanto, essa geração que hoje está no Ensino Fundamental II, ou mesmo no Ensino Médio, não vê o computador como uma tecnologia nova, mas como algo que é parte de seu dia-a-dia, de seu habitat. Algo que ele conhece desde que começou a se entender por gente.

Essa geração digital também está habituada a lidar com o lançamento de novas tecnologias, isso porque essa geração vive em uma época em que os avanços tecnológicos acontecem em uma velocidade cada vez mais rápida. Por isso, os nativos digitais não só lidam bem com a tecnologia presente, mas também com a tecnologia futura.

Restará a essa geração saber usar bem a tecnologia, de forma ética, responsável, para melhorar a qualidade de vida das pessoas, para a sustentabilidade do planeta, incluindo a espécie humana.

Está nas mãos de vocês…