Mais um Triste Capítulo na História do Menino Sean

Quarta-feira, dia 16, a justiça brasileira finalmente julgou o processo de guarda do menino e concedeu ao pai o direito de guarda, determinando que a família da finada mãe-ladra devolvesse o menino ao pai em um prazo de 48h.

Teria sido um presente de Natal e tanto, se o sr. ministro do STF não tivesse decidido prestar um desserviço à justiça (e um favor às famílias Lins e Silva e Bianchi). O ministro Marco Aurélio Mello concedeu mais uma liminar à familia da mãe suspendendo a decisão do TRF, prorrogando a entrega do menino até que um habeas corpus dela seja julgado.

O habeas corpus solitcita que o menino de oito anos, há cinco afastado arbitrariamente de seu pai, seja ouvido quanto ao desejo de retornar ao convívio com o pai nos EUA, ou o desejo de ficar no Brasil. O habeas corpus pede ainda que seja concedida uma liminar em vista “ao perigo na demora da apreciação judicial”…

Meu Deus… Que absurdo! Há cinco anos a justiça tem sido muito mais do que morosa, tem sido omissa em relação ao direito de guarda do pai. E justamente essa morosidade tem sido usada como justificativa para que a injustiça se perpetue, uma vez que a família alega que por “razões socioafetivas” o menino deve permanecer no Brasil (afastado de seu pai).

Em outras palavras, a mãe cometeu um crime, roubando e mantendo o filho longe do pai. A justiça se omitiu durante cinco anos. Agora, justamente esses cinco anos de afastamento são o argumento usado pela família da mãe para manter o menino longe do pai. É impressão minha ou a própria justiça deu à família da mãe o argumento para que a a injustiça se perpetuasse?

Está mais do que provado e evidente que o menino não tem idade suficiente para se manifestar, e mesmo que tivesse, depois de passar mais da metade da vida afastado de seu verdadeiro pai, sendo, certamente manipulado contra ele, que relevância teria sua opinião?

Agora a justiça vai entrar em recesso e o julgamento do habeas corpus será adiado para 2010. E assim a injustiçai vai se confirmando… O atraso de vida vai sendo estendido… O crime cometido pela mãe, que infelizmente não poderá mais pagar pelo que fez, vai continuando impune, e suas vítimas (pai e filho) permanecem pagando por isso.

É revoltante ver a justiça brasileira sendo conivente com a alienação parental explícita iniciada pela mãe do menino Sean, e ampliada por sua família e pela família do segundo marido dela…

Será que se a família do novo marido dela não tivesse o sobrenome que tem, Sean já estaria vivendo feliz e em paz ao lado de seu pai nos Estados Unidos?

Meu Deus! Será que um erro pode justificar outro??? Será que o coronelismo vai imperar mais uma vez nesse país? Espero que não…

Isso me fez lembrar o caso do menino Pedrinho em Goiás, que foi roubado, ainda recém nascido, da maternidade por Vilma Martins, que o registrou e criou como se fosse seu filho natural. Mesmo após vários anos de completo afastamento dos verdadeiros pais, a justiça foi feita. Em 2003 essa mulher foi condenada a prisão, e o filho foi restituído aos seus verdadeiros pais.

O processo de restauração desse relacionamento, que de fato nunca havia sido estabelecido, foi muito difícil, mas não impossível…

Será que a justiça brasileira vai continuar dificultando esse processo de restauração do relacionamento do menino Sean e seu pai?

Será que ninguém no STJ está percebendo que o tempo corre em favor do alienador, e que as vítimas (o pai e o filho) estão sendo punidas enquanto a família da mãe e de seu segundo marido lançam mãe de manobras com o único intuito de protelar o cumprimento da decisão judicial, apenas para continuar usando o fator tempo como argumento para que o menino não seja rerstituído de sua vida?

Espero que Sean e seu pai possam não somente ter sua convivência restabelecida o mais breve possível, mas também que sejam ressarcidos de todas as formas possíveis pelos danos psicológicos que foram causados aos dois…

Em São Paulo, 18 de Dezembro de 2009.

 

Software Pra Que Te Quero

Este artigo foi escrito em 2003 e publicado em meu antigo site www.professorapaloma.com.br. Há cerca de um ano meu site foi desativado e este artigo saiu do ar. Em breve meu site será reativado. Enquanto isso, publico-o aqui, para quem quiser relembrá-lo.

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Existe uma grande quantidade de software disponível no mercado atualmente, e a tendência é que esse número cresça cada vez mais. Esses softwares surgem com uma velocidade tão grande e para aplicações tão diversas que fica muito difícil classificá-los para entendê-los. Nem mesmo as pessoas mais “antenadas”, conseguem acompanhar esse processo, e o que se vê é que muitos sequer ouviram falar acerca de determinados softwares, que dirá saber a aplicação deles.

No meio educacional, muito se ouve falar, por exemplo, sobre “software de autoria”, porém ainda não se chegou a um consenso sobre o que seja de fato.

Para alguns, software de autoria são as linguagens de programação, como as primitivas FortranCobolAssemblerPascal e Basic, e outras mais novas, como CVisual BasicDelphiCold Fusion e etc., através das quais é possível se criar qualquer tipo de software.

Normalmente, quando da criação de algum software educacional, os analistas programadores desenvolvem o programa e se utilizam de uma consultoria educacional para contribuir com o projeto. Em alguns casos, infelizmente mais raros, forma-se uma equipe multidisciplinar composta, entre outros profissionais, e de acordo com a proposta do software, de educadores e analistas programadores, para que cada um contribua com sua especialidade e juntos construam um produto de melhor qualidade. Isso ocorre também em qualquer outra área, como na medicina, direito e etc.

Ocorre que, com a democratização da informática, existe uma tendência mundial de que usuários comuns passem a desenvolver alguns softwares. Essa demanda forçou o próprio mercado tecnológico a desenvolver algumas ferramentas simples que possibilitam a esses usuários comuns a criação de softwares específicos menos complexos. Essas ferramentas também são consideradas “softwares de autoria”, pois são “abertas”, possibilitando a criação de outros softwares.

Em se tratando da área educacional, poderíamos citar o Logo (Linguagem Logo), como sendo um precursor desse tipo de software. Hoje em dia temos o Visual Class e o Everest entre outros, que possibilitam ao usuário comum a criação de softwares simples, contendo jogos, imagens, filmes, sons e texto. Com essas ferramentas é possível também se criar páginas de Internet.

Existem outras ferramentas que permitem criação por parte do usuário, porém são consideradas um pouco mais limitadas, por se restringirem a uma aplicação específica. Dentre as mais utilizadas na área educacional poderíamos destacar o Clic (software espanhol que possibilita a criação de alguns jogos), HQ (software que permite a criação de histórias em quadrinhos), Nestor (software de construção de páginas da WEB que oferece alguns recursos adicionais como mapa de navegação) e também poderíamos citar o FrontPage (opcional no pacote Microsoft Office, que é um dos editores HTML mais utilizados para construção de páginas de Internet).

Além de todos os softwares citados, vale a pena destacar o bom e velho PowerPoint, como uma excelente opção para criação, pois além de oferecer inúmeros recursos para construção de telas interativas, com hiperlinks, imagens, vídeos, sons e textos, ele é integrante do pacote Office, o que significa que praticamente todos os usuários já o possuem.

Já que estamos falando do Office, porque não lembrar dos outros famosos e utilíssimos aplicativos da família Microsoft, que podem ser ótimos aliados no desenvolvimento de projetos pedagógicos, principalmente quando integrados a outros softwares. Entre eles podemos destacar o Word (editor de texto ultra-sofisticado), Excel (planilha eletrônica com inúmeros recursos gráficos), o Access (banco de dados SQL) e até diversos softwares que acompanham o próprio Windows, como o Bloco de Notas (simples processador de textos), o Paint (editor de imagens simples, mas com boas possibilidades de uso), o consagrado navegador Internet Explorer, o poderoso tocador de mídias diversas Windows Media Player e o ousado Messenger (para comunicação instantânea utilizando-se imagens e sons).

São tantos softwares, tantos concorrentes, tantas possibilidades que o usuário comum facilmente se sente desnorteado, sem contar com a gama quase ilimitada de software freeware (programas gratuitos), shareware (programas gratuitos para se testar, mas que precisam ser adquiridos) ou mesmo adware (programas gratuitos suportados por anúncios e propagandas). Além disso, existem softwares para diversas plataformas e sistemas operacionais, só para citar os mais famosos, temos o próprio Windows com todas as suas versões disponíveis, o Linux, o BeOS, o Macintosh (apple), o Unix, o OS/2 e etc.

Para entender um pouco a diversidade e abrangência dos softwares basta acessar um site popular de downloads (como o Tucows), e verificar que lá existem mais de 30.000 softwares prontos para serem testados, utilizados e comprados.

Saber da existência dessas ferramentas simplesmente não basta para que se possa começar a desenvolver projetos, pois é necessário aprender a utilizá-las. Felizmente, junto com o surgimento a cada dia de novas ferramentas para criação, vêm também os chamados tutoriais, que são softwares auto-explicativos, que ensinam o usuário a utilizar outros softwares. Hoje em dia existem tutoriais aos montes que explicam acerca de praticamente todos os softwares existentes no mercado. Além disso, existem as listas de discussões na Internet, onde os usuários trocam informações sobre esses softwares e dessa forma aprendem tudo o que precisam.

Essa experiência de democratização do conhecimento é realmente fantástica! Os ambientes virtuais criaram uma espécie de rede de solidariedade, onde os usuários se ajudam mutuamente e não encontram barreiras para avançar nas descobertas e dominar todas essas ferramentas.

Diante de tantas possibilidades, basta agora decidir o que se quer fazer, encontrar a ferramenta mais adequada, aprender a utilizá-la e pronto, qualquer projeto já poderá se tornar real!

Em São Paulo, 13 de Dezembro de 2009.

Projeto Minha Terra

Concedi uma entrevista muito especial, recentemene, aos alunos da EMEF Padre Aldo Tofori, da Rede Municipal de São Paulo. Os alunos estavam trabalhando em um projeto do Educarede, o Minha Terra.

A professora orientadora do projeto, Beatriz Helena Rusu, amiga querida de longa data, me enviou um e-mail com a ficha do projeto e a descrição de seu desenvolvimento, que eu transcrevo a seguir:

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  • Projeto: Minha Terra 2009
  • Tema: Cidade e Cultura – Cultura Digital
  • Emef Padre Aldo Da Tofori
  • Nome da equipe: “Virtual ou Real?”
  • Professora orientadora da sala de leitura: Beatriz Helena Rusu
  • Alunos monitores da 7ª série
    • Adriana Porto
    • Gustavo Alves
    • Gustavo Silva
    • Larissa Ariana
    • Marcos Rodrigues

Começamos o projeto com 9 alunos, 3 desistiram e 1 mudou de escola.

Os alunos fizeram algumas leituras e pesquisas sobre as tecnologias e após fizeram uma pesquisa de campo (mostra), 40 questionários. A pesquisa nos mostrou que a comunidade utiliza-se de computadores, celulares e Internet. Apesar de nem todos ainda terem acesso ao computador e à Internet, usam LAN House e Telecentros mantidos pela prefeitura.

Os alunos fizeram resumos de textos que leram e utilizaram o PowerPoint para publicar gráficos dos dados tabulados dos questionários. Todos os textos e arquivos elaborados foram publicados na arquivoteca do Educarede.

Os alunos formularam as questões da entrevista para você [no caso eu, Paloma] e também para um jovem que trabalha numa lan house do bairro.

Publiquei dois vídeos no Youtube e no Canal Minha Terra 2009 (do rapaz da lan house e de um texto escrito por um aluno monitor).

Para encerrar este projeto eles estão fazendo uma apresentação para os colegas: intervenção – como navegar, quais sites são confiáveis e, o principal, utilizar a tecnologia para a aprendizagem e não apenas para lazer (jogos), e esclarecer que tecnologia não são apenas os aparelhos eletrônicos/digitais que conhecemos, que a tecnologia existe desde a idade da pedra, quando o homem inventou uma ferramenta ou quando o homem pensou em preparar a terra para o plantio.

O tema que os meus alunos escolheram era muito amplo….. ficou dificil pensar na intervenção a ser feita com a comunidade.

Mas valeu a pena…. um aprendizado e tanto!

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Me emociona ver um relato como esse, real, apaixonado. Que bom que existem projetos interessantes como esse, que transformam a aprendizgem escolar em uma experiência significativa, rica, vinculada ao mundo real, cujo produto é algo muito mais útil do que um texto para um único leitor ver, o professor.

Os alunos pesquisaram, aprenderam e agora estão compartilhando sua aprendizagem com outros alunos, buscando contribuir com a aprendizagem deles também.

Parabéns, Adriana, Gustavos, Larissa e Marcos. Parabéns, Bia. Parabéns equipe Minha Terra – Educarede. Parabéns à Secretaria de Educação do Município de São Paulo. Vocês estão fazendo a diferença. Estão mostrando que é possível uma educação diferente hoje. O futuro chegou ontem!

Transcrevo, a seguir, a íntegra da entrevista que concedi aos alunos. Soube que ela também será publicada no site do Minha Terra. Quando eu tiver o link, coloco aqui também.

Em São Paulo, 10 de Dezembro de 2009.

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Equipe: “Virtual ou Real?” – O que significa Internet para você?

Profª Paloma

Sem pensar na definição de Internet, sobre a qual falarei em seguida, Internet, para mim, significa a tão almejada possibilidade de acesso irrestrito à informação e comunicação. Finalmente a pessoa comum pode publicar e acessar informações, bem como se comunicar individual ou coletivamente com qualquer pessoa ou grupo no planeta.

Antes da Internet, poucas pessoas detinham o poder de informação e comunicação. As informações eram produzidas apenas por poucos autores que podiam publicar suas idéias nas enciclopédias, livros, revistas e jornais. As emissoras de televisão e rádio também tinham em suas mãos os meios para levar informações às pessoas, mas poucos podiam escolher que tipo de informação seria veiculado. E mesmo assim, a comunicação, nesses casos, era unilateral. Poucos falavam, muitos ouviam, e os que ouviam não podiam interagir com os que falavam.

Os meios de comunicação mais populares que permitiam interação eram as cartas, que só podiam conduzir textos e imagens, ou o telefone, que só podia conduzir sons. Mesmo assim, esses meios só permitiam a comunicação entre duas pessoas.

A Internet, que é por definição uma grande rede que permite a conexão de computadores no mundo inteiro, representou uma revolução nas formas de acesso à informação e comunicação das pessoas.

Por meio dela hoje é possível o acesso às informações e à comunicação em diversos formatos e direções. A informação na Internet se apresenta em forma de texto, som, imagem estática (fotografia), e vídeo (imagem dinâmica), tudo isso separado ou integrado. Além disso, a comunicação via internet pode se dar entre duas pessoas, de uma para várias, de várias para uma, e de várias para várias. Ou seja, em todas as direções possíveis.

Mas o melhor é a possibilidade de qualquer pessoa se tornar produtor de conhecimento, formador de opinião, autor de publicações. A democratização da informação e da comunicação gerou novos desafios. Hoje, não é difícil encontrar a informação, mas o excesso de informação exige de nós a capacidade de organizar, selecionar, analisar e avaliar a informação para poder aplicá-la em nossa vida, transformando a informação em conhecimento, dando, assim, sentido para a informação.

Equipe: “Virtual ou Real?” – O que a tecnologia afetou ou afeta a vida das pessoas?

Profª Paloma

Antes de falar sobre o impacto da tecnologia na vida das pessoas, creio que seja importante lembrar o que é a tecnologia.

Tudo aquilo que não existia até que o homem o inventasse, é tecnologia. Desde os primórdios o homem cria recursos, inventa coisas, com o intuito de resolver problemas do seu dia-a-dia.

Essas invenções não são necessariamente objetos tecnológicos, como a roda, as ferramentas, etc. Mas são também recursos com a escrita e os números, sem os quais não é possível imaginar como viveríamos hoje.

Essas foram, talvez, as primeiras tecnologias criadas, e sem dúvida mudaram a vida da humanidade, pois influenciam decisivamente a nossa vida até os dias atuais. Depois disso muitas, mas muitas tecnologias, mesmo, foram criadas. Algumas existiram durante um tempo, e depois desapareceram, por não terem mais utilidade. Outras existem até hoje, e novas tecnologias foram criadas a partir delas.

A eletricidade, por exemplo, é uma grande solução tecnológica, a partir da qual muitas outras tecnologias foram criadas. Quantos objetos tecnológicos nós temos hoje em nossas casas que dependem da eletricidade para funcionar? Como viveríamos hoje sem esses equipamentos ou sem a eletricidade?

Eu sei que ainda há lugares em que não se vive com energia elétrica, mas os hábitos de vida das pessoas que vivem em lugares assim são completamente diferentes dos nossos.

Por isso, quando pensamos na diferença que a tecnologia faz na vida das pessoas, devemos primeiro pensar em quem são essas pessoas, onde e como elas vivem, e aí podemos avaliar as contribuições da tecnologia.

É lógico que, embora ela seja criada para resolver problemas, às vezes a tecnologia causa mais problemas do que resolve. Especialmente porque algumas tecnologias sofisticadas custam muito caro para serem desenvolvidas. E normalmente quem está disposto a pagar por isso são pessoas ou governos que têm interesses às vezes, digamos, não tão nobres. As armas, as bombas e outros recursos bélicos (recursos usados na guerra), por exemplo, são tecnologias que mais destroem do que constroem algo de bom para as pessoas, embora elas sejam desenvolvidas sob o pretexto de proteger as nações umas das outras.

Os remédios e os procedimentos cirúrgicos que salvam vidas também são tecnologias “do bem”, mas muitos remédios são utilizados como drogas, e acabam matando as pessoas. Vejam o exemplo do Michael Jackson.

A própria Internet foi uma tecnologia criada na guerra, para permitir a troca de informações do exército americano. Depois de atender aos objetivos iniciais, ela acabou sendo disponibilizada às universidades e depois ao restante da população, e tem servido tanto para coisas boas quanto para coisas ruins, como a pedofilia, os roubos de identidade e informações bancárias, etc.

Sem dúvida a tecnologia afeta direta e intensamente a vida de cada um de nós. Precisamos cuidar para não deixar que ela nos prejudique, mas sim que nos ajude. Para tirar melhor proveito dela, precisamos conhecê-la. E precisamos estar bem informados quanto aos riscos a que ela nos expõe. A informação é nossa principal arma.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Porque você se interessou pela área da tecnologia e comunicação?

Profª Paloma

Eu sempre fui professora, sempre trabalhei na área da educação. Entretanto, durante um pequeno período em minha vida, acabei indo trabalhar em uma empresa pequena que vendia computadores, instalava redes, criava sites, e oferecia suporte técnico em informática nas empresas. Eu trabalhava na área administrativa e financeira, mas em uma empresa pequena a gente acaba fazendo de tudo, e aos poucos eu fui aprendendo a usar bem a tecnologia.

Às vezes eu até ficava incomodada, pois eu me sentia como um peixe fora d’água, como alguém que estava perdendo tempo longe da área em que realmente gostava de trabalhar, que era a educação.

Até que um dia eu voltei a dar aulas em uma escola da rede pública. Nessa época havia um projeto de implantação de laboratórios de informática em todas as escolas daquela rede, e me convidaram a fazer parte da equipe que iria trabalhar com tecnologia.

No começo eu não conseguia perceber muito bem como a tecnologia poderia ajudar a melhorar a aprendizagem dos alunos, porque a minha experiência era com o uso da tecnologia na empresa, e não na escola.

Por outro lado, eu era uma das poucas professoras daquela rede que entendia razoavelmente bem de tecnologia, e esse conhecimento me ajudou a ter mais facilidade no desenvolvimento do trabalho pedagógico com as novas tecnologias da informação e comunicação.

Assim eu comecei a estudar bastante sobre educação e tecnologia, e me apaixonei de vez por essa área quando percebi que a tecnologia realmente poderia transformar a aprendizagem dos alunos, e mesmo dos professores, em uma experiência mais gostosa, rica, agradável, significativa.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Como trabalhar com o virtual sem se desligar do real?

Profª Paloma

A idéia de que o virtual está desvinculado do real é um mito, que precisa ser desmitificado.

O mundo virtual nem sempre é desvinculado, ou separado, do mundo real. Quando utilizamos os meios virtuais para nos comunicar com outras pessoas, por exemplo, apenas o meio é virtual, mas a comunicação e as pessoas com as quais nos comunicamos são reais.

Quando usamos o meio virtual para ler jornais ou artigos, estamos apenas usando o virtual como meio, mas as notícias e as idéias que lemos e discutimos falam do mundo real, das pessoas que estão por trás daqueles textos, imagens, etc.

Por isso, o fato de trabalharmos com o virtual, por si só, não é uma ameaça á nossa vida real.

Há, entretanto, duas situações em que o virtual pode afastar as pessoas do real.

Uma é quando a pessoa simplesmente não consegue realizar outra atividade, sem ser utilizar o computador. Há pessoas que passam horas, ou até dias, na frente do computador, e começam a ter uma série de problemas.

Entretanto esse não é um problema da relação do virtual com o real. Esse é um problema de falta de equilíbrio na vida. Tudo o que é demais, faz mal. Tudo o que é exagerado, prejudica. Mesmo as coisas boas.

Alguém que passa o dia inteiro comendo, ou jogando cartas, ou bebendo, ou brincando, ou realizando qualquer outra atividade, que se torne a única atividade que a pessoa pratica, certamente terá problemas sérios.

Precisamos manter um equilíbrio saudável em relação à rotina de atividades que estabelecemos para nós. Equilíbrio, aliás, é um cuidado que temos de ter em todas as áreas da nossa vida.

A outra situação em que o virtual pode afastar a pessoa do real é quando, em determinados ambientes virtuais, a pessoa cria uma identidade falsa, e acaba gostando tanto de poder ser aquela personagem que ela criou, que passa mais tempo naquele ambiente virtual, sendo quem não é, do que no mundo real, sendo quem de fato é. Essa é uma situação muito perigosa, em que a pessoa precisa de ajuda psicológica para superar sua dificuldade.

Fora essas duas situações, devemos utilizar todos os benefícios do mundo virtual sem culpa, “sem medo de ser feliz”.

Equipe: “Virtual ou Real?” – O uso exagerado da internet pode prejudicar? Por quê?

Profª Paloma

Acho que acabei já respondendo a essa questão.

Tenho por princípio que o uso exagerado de qualquer coisa é prejudicial. E isso não é diferente em relação à Internet.

O outro ponto é que a Internet, assim como qualquer tecnologia, não é boa nem má. O uso que se faz da tecnologia é que pode ser prejudicial ou benéfico. Cabe a nós, escolhermos como queremos usá-la.

As crianças e os adolescentes precisam de bastante orientação, pois são os principais alvos de pessoas mal intencionadas que usam a Internet para prejudicar os outros, embora os adultos também o sejam.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Você acha que as pessoas utilizam a tecnologia/internet/comunicação adequadamente?

Profª Paloma

Como eu já disse, creio que há aqueles que usam bem, aqueles que usam mal e há os que nem usam.

Tenho trabalhado ao longo dos últimos anos para que as pessoas que não usam descubram na tecnologia, na Internet, nos meios virtuais de informação e comunicação, uma ferramenta empolgante de aprendizagem e exploração do mundo. E os que já as usam, que aprendam a usar cada vez melhor.

Esse é um dos meus principais objetivos.

Equipe: “Virtual ou Real?” – O que você diria para as pessoas que gostariam de seguir a mesma profissão?

Profª Paloma

Eu diria duas coisas:

Primeiro que é uma profissão muito interessante, onde a gente vive aprendendo coisas novas, pois a tecnologia evolui com uma rapidez incrível. Por isso para se trabalhar nessa área a pessoa precisa gostar de aprender, de fuçar, de descobrir, de explorar o desconhecido.

Em segundo lugar eu diria que um dos escopos do meu trabalho, especificamente a formação de professores para o uso da tecnologia, está em risco extinção. Esse trabalho só existe porque ainda há professores que não sabem usar a tecnologia. Entretanto, dentro de poucos anos, quando aqueles que hoje são alunos, crescerem e se tornarem professores, então meu trabalho não será mais necessário.

A geração interativa, a geração digital, que nasce mergulhada no mundo da tecnologia, não terá a menor dificuldade para lidar com esses recursos.

Quando isso acontecer, o foco do meu trabalho continuará sendo o pensar em formas de utilizar, ou até mesmo desenvolver, novas tecnologias capazes de melhorar cada vez mais a qualidade da educação.

Equipe: “Virtual ou Real?” – O que você acha sobre a nanotecnologia?

Profª Paloma

É uma tendência. Os primeiros computadores eram imensos, ocupavam salas imensas. A evolução da tecnologia foi no sentido de aumentar a potência na mesma proporção em que diminuía o tamanho dos equipamentos.

Hoje a nanotecnologia é uma realidade que saiu das telas dos filmes de ficção para ocupar os nossos computadores, vídeo games, celulares e vários outros equipamentos.

A nanotecnologia não está presente apenas na informática, mas na medicina, na farmácia, na química, física, etc. Tecnologias cada vez menores e mais eficientes caminham nessa direção.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Como você acha que será o futuro pensando nos avanços tecnológicos e nas relações interpessoais e profissionais?

Profª Paloma

Pensando especificamente na questão das relações interpessoais e profissionais, e na influência que os avanços tecnológicos exercem sobre essas questões, podemos dizer que o futuro será daqueles que melhor souberem utilizar a tecnologia na construção de relacionamentos.

De um lado, a tecnologia hoje já aproxima as pessoas, permitem que umas conheçam melhor as outras, permite a interação, a colaboração entre elas. Por isso as redes sociais como Facebook, Twitter, Orkut, são um fenômeno que não param de crescer.

Por outro lado o mundo está se tornando cada vez mais complexo. Os conhecimentos que existem hoje são muito mais diversificados do que os que existiam há anos atrás. O mercado precisa lidar com essa diversidade. Por isso o especialista de uma única área cada vez menos atende às demandas do mercado. É impossível um único profissional dar conta de entender de tudo o que ele precisaria entender para atender à necessidade do mercado.

Por isso a tendência é que, cada vez mais, as pessoas trabalhem em equipe, articulando diversos saberes, diversas experiências. Por isso o futuro será daqueles que melhor souberem lidar com as pessoas, que melhores habilidades de comunicação desenvolverem, que souberem trabalhar em equipe, que souberem exercer liderança descentralizada, que souberem articular a equipe em torno de um objetivo comum.

Equipe: “Virtual ou Real?” – Como você acha que será o mercado de trabalho futuramente?

Profª Paloma

Como eu mais ou menos já disse, o mercado de trabalho exigirá cada vez mais profissionais criativos, com uma visão mais ampla do negócio, e cada vez menos profissionais super especializados. Isso significa que não basta os jovens aprenderem muito sobre um determinado assunto. Eles devem aprender um pouco de tudo, embora devam, também, se aprofundar em algumas áreas que considerem mais interessante, que tenham maior interesse.

Aliás, esse é um dos segredos do sucesso profissional e até pessoal. Vocês que são jovens têm em suas mãos a possibilidade de escolher trabalhar em algo de que realmente gostam. Se tiverem essa oportunidade, não a desperdicem. Não percam o tempo de vocês fazendo algo de que não gostam, só para fazer alguma coisa… Isso impactará diretamente em sua realização profissional e pessoal, em sua qualidade de vida.

Não importa qual seja a área. Os jovens devem procurar ser bons naquilo que escolherem fazer, e serão bem sucedidos. Ou melhor: deverão escolher fazer aquilo em que são bons – criativamente encontrando formas de ganhar dinheiro fazendo aquilo de que gostam e em que são bons.

Os profissionais do futuro deverão saber exercer liderança e trabalhar em equipe. Deverão saber resolver problemas, e isso com autonomia. Por isso as habilidades e competências relacionadas à busca e análise de informações, bem como a comunicação serão muito importantes. Sem informação e comunicação não é possível a resolução de problemas, nem a construção de relacionamentos. E aqui entram as tecnologias da informação e comunicação.

O Brasil deve experimentar um crescimento bastante interessante nos próximos anos, seja pela estabilidade econômica, seja pela estabilidade política. Esse cenário tem trazido conquistas importantes para o país, como a Copa do mundo e as Olimpíadas. Quem se preparar para crescer junto com o país, encontrará espaço.

Não deixem as oportunidades passarem…

Equipe: “Virtual ou Real?” – Você poderia abordar um pouco sobre os temas: tecnologia e os jovens de hoje.

Profª Paloma

A despeito do conceito de tecnologia que eu falei há pouco, alguém disse uma vez que “tecnologia é tudo aquilo que foi inventado depois que você nasceu”… Essa afirmação é bastante interessante. De fato há muita tecnologia presente na vida das pessoas que, por já fazer parte do cotidiano, nem tem mais cara de tecnologia.

A energia elétrica, como eu mencionei, está tão presente na maioria absoluta das casas das pessoas, que nós quase nem notamos sua presença (a não ser em tempos de apagão…), por isso não nos referimos à eletricidade como tecnologia, embora ela seja.

Um dia desses uma professora, para quem eu dei um curso, compartilhou que quando ela era pequena uma tia dela a elogiava bastante dizendo que ela era muito inteligente e esperta, pois sabia lidar com “aqueles botões complicados”. Essa frase é bastante comum também hoje em dia quando vemos crianças pequenas manejando com grande habilidade um celular ou um computador. Entretanto os botões a que a tia daquela professora se referia eram os do liquidificador, que era uma grande novidade tecnológica na época.

Portanto, aquilo que na escola chamamos de “novas tecnologias” (normalmente os computadores), praticamente nem é considerado tecnologia para os alunos de hoje.

Isso porque o computador foi popularizado no Brasil, seguramente, há mais de 15 anos. Portanto, essa geração que hoje está no Ensino Fundamental II, ou mesmo no Ensino Médio, não vê o computador como uma tecnologia nova, mas como algo que é parte de seu dia-a-dia, de seu habitat. Algo que ele conhece desde que começou a se entender por gente.

Essa geração digital também está habituada a lidar com o lançamento de novas tecnologias, isso porque essa geração vive em uma época em que os avanços tecnológicos acontecem em uma velocidade cada vez mais rápida. Por isso, os nativos digitais não só lidam bem com a tecnologia presente, mas também com a tecnologia futura.

Restará a essa geração saber usar bem a tecnologia, de forma ética, responsável, para melhorar a qualidade de vida das pessoas, para a sustentabilidade do planeta, incluindo a espécie humana.

Está nas mãos de vocês…

O princípio da transparência: segredo de sucesso ou razão de fracasso dos relacionamentos?

Durante um bom tempo tive meu comportamento norteado pelo impacto de uma idéia que revolucionou meu modo de entender relacionamentos. O chamado princípio da transparência entrou em minha vida como uma solução definitiva para a grande maioria dos problemas de relacionamentos, especialmente entre marido e mulher.

O princípio se baseia na interpretação da passagem bíblica de Gênesis 2:25 que diz: “Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam.”

A interpretação da passagem enfatiza a necessidade de os parceiros de um relacionamento manterem-se nus um diante do outro, não só na dimensão física (corpo), mas também nas dimensões espiritual (espírito) e psíquica (alma).

A dimensão física é a mais fácil de se compreender (e viver), embora haja, ainda hoje, pessoas que se envergonham de ficar nuas na frente de seu parceiro.

A dimensão espiritual diz respeito à transparência de uma pessoa frente ao relacionamento que seu parceiro mantém com Deus. Essa dimensão é bastante profunda, uma vez que a crença na oniciência de Deus normalmente faz com que as pessoas nem tentem esconder nada de Dele. E quando uma pessoa tem o privilégio de compartilhar de um momento, por exemplo, de oração de seu parceiro com Deus, ele, na realidade, está tendo acesso à maior intimidade que alguém poderia ter com alguém.

Para as pessoas que compartilham da mesma fé, essa dimensão também se torna relativamente fácil de ser vivida.

Dentre as três dimensões, entretanto, a que provavelmente representa o maior desafio para quem quer praticar o princípio da transparência, é a dimensão psíquica, da alma.

Tudo o que sabemos e temos memória (consciência) habita nossa alma. Tudo o que vivemos, desejamos, pensamos, sentimos está guardado em nossa mente e coração. A verdade é que nem nós mesmos conseguimos saber tudo aquilo que guardamos em nossa alma, mas certamente sabemos que escondemos nela algumas coisas das quais até nós mesmos nos envergonhamos. Coisas que já fizemos, ou que ainda fazemos, e que nunca teríamos coragem de contar para alguém.

A despeito dessa dificuldade, o princípio da transparência pretende mostrar que um relacionamento só será próspero se não houver absolutamente qualquer segredo, seja do presente, do passado ou futuro, entre os parceiros.

É fato que a transparência é a chave para a confiança e para a cumplicidade, elementos essenciais para o sucesso de um relacionamento.

Nada gera mais insegurança do que a percepção de que o parceiro esconde algo. O desconforto inevitavelmente leva o outro (de quem está sendo escondido algo) a desconfiar de que seu parceiro quer enganá-lo, prejudicá-lo. Essa desconfiança pode minar o relacionamento de forma irreversível.

Por outro lado saber de algum segredo de seu parceiro, que ninguém nunca soube, gera uma sensação de cumplicidade maravilhosa, alimentando a relação de confiança e criando um vínculo bastante forte entre os parceiros. Apesar disso, a verdade é que poucos relacionamento conseguem experimentar esse princípio na prática.

Em dez dos últimos onze anos, ministrei cursos para casais, e tive a oportunidade de lidar com muitos tipos de relacionamentos, mas nunca encontrei um casal que conseguisse aplicar esse princípio em 100% do cotidiano de seu relacionamento. Creio que somente eu conseguia, porque acreditava nele, e sempre fui um tanto quanto corajosa em relação a essas coisas.

Observando os casais, constatei que vários deles até conseguiam manter um relacionamento aberto, com bastante diálogo, mas normalmente ambos os parceiros preferiam eleger um amigo ou uma amiga como confidente fiel, para quem tinham coragem de contar seus maiores segredos.

No fundo eu não me conformava com a idéia de que alguém pudesse ter um amigo mais amigo do que seu próprio parceiro. Como alguém poderia confiar um segredo a uma pessoa que não fosse também o seu amor?

Devo admitir, entretanto, que experiências recentes me fizeram rever esse conceito.

Hoje eu me pergunto: Será que estamos prontos para ter conhecimento de todos os segredos de nosso parceiro? Será que ele suportaria saber de algumas coisas que fizemos ou fazemos, que sentimos, ou ainda estamos sentindo? Será que nós resistiríamos ao saber de coisas do nosso parceiro que nos atingem diretamente? Será que é sensato deixar nosso parceiro saber de coisas que o afetam?

Definitivamente, não. Estou convencida de que há coisas que o parceiro é a última pessoa que deve saber, pelo menos enquanto a coisa está imatura. Essa convicção, entretanto, está muito longe de representar um boicote gratuito ao princípio da transparência. Na realidade ela está relacionada ao princípio do bom senso, que deve, a meu ver, prevalecer ao da transparência.

Às vezes, se a intenção é justamente a preservação do relacionamento, acredito que o melhor a fazer é poupar o parceiro de algumas informações que apenas prejudicariam o relacionamento, talvez de forma irremediavel.

Isso não significa agir de má fé, ou com indiferença, mas sim agir de forma consciente em prol do amor e do relacionamento.

Creio que um amigo ou amiga são, de fato, as pessaos mais indicadas para saber de algumas coisas, quando não for recomendável que esse alguém seja o parceiro. No entanto, estou certa de que há coisas que só deveriam ser compartilhadas com Deus, mesmo. Só Ele tem condições de ouvir qualquer coisa, e saber qualquer coisa a seu respeito, sem ficar desconfiado ou inseguro, e sem se deixar abalar em relação ao amor que sente por você.

Em Salto, 14 de Agosto de 2009.

 

Testando Windows Live Writer

Na realidade eu já sou usuária do Windows Live Writer há algum tempo. Portanto o título deste post não está totalmente correto.

Entretanto é a primeira vez que utilizo o Live Writer para publicar um post em outro Blog (no caso WordPress), que não o Spaces da própria Microsoft. Desconfiava que funcionava, mas nunca tinha testado.

O Windows Live Writer é um software gratuito da Microsoft que pode ser baixado e instalado no PC.

Nele há um espaço para você configurar todas as contas de Blogs que você tiver, em qualquer lugar (ou pelo menos no Spaces e WordPress, que eu já testei)

Além disso há um editor de texto simples, para você escrever os posts.

Na hora de publicar você seleciona em qual Blogs você quer que aquele post seja publicado, e pronto!

Assim você fica sempre com um arquivo offline de todos os seus posts, em todos os seus Blogs.

Sendo um editor offline, você se livra dos inconvenientes dos editores online, que, por problemas de conexão, às vezes apresentam um erro, e fazem você perder tudo o que havia escrito e que ainda não havia sido publicado.

Vale a penas experimentar.

Em Salto, 13 de Agosto de 2009.

Qualidade em Educação – Ensino x Aprendizagem

A questão da qualidade da Educação, passa necessariamente pela avaliação dos resultados obtidos. Esses resultados não dizem respeito a números, simplesmente, mas à APRENDIZAGEM efetiva que os alunos vivenciaram.

Enfatizo a palavra APRENDIZAGEM para contrapô-la à palavra ENSINO.

O conceito de ensino, no contexto escolar, está muito mais relacionado ao fazer do professor, enquanto a aprendizagem, ao fazer do aluno. Entretanto o professor deveria repensar o seu “fazer”. Será que o foco dele deveria estar no ensino?

Transcreverei abaixo um trecho de um artigo encontrado no Blog “Fórum Educação” de Flávio Boleiz, que discute um pouco essa questão.

Administração escolar e qualidade do ensino…(II)

A noção de qualidade do ensino

… “Mas a alegação da falta de interesse do aluno como justificativa para o mau desempenho escolar precisa ser combatida de forma radical porque ela implica a própria renúncia da escola a uma de suas funções mais essenciais. Os equívocos a esse respeito geralmente advêm da atitude errônea de considerar a “aula” como o produto do trabalho escolar. Nessa concepção, desde que o professor deu uma boa aula, a escola cumpriu sua obrigação, apresentou o seu produto, tudo o mais sendo responsabilidade do aluno. Mas, se consideramos o conceito de trabalho humano enquanto “atividade adequada a um fim” (MARX, s.d., p. 202), a aula ou a “situação de ensino” constitui o próprio trabalho, não seu produto. Se a escola tem que responder por produtos, estes só podem ser o resultado da apropriação do saber pelos alunos. Se estes não aprenderam, a escola não foi produtiva. Dizer que a escola é produtiva porque deu boa aula mas o aluno não aprendeu é o mesmo que dizer que a cirurgia foi um sucesso mas o paciente morreu.”

Fonte: http://flavioboleiz.blog.terra.com.br/category/sem-categoria/ Acessada em 31/07/2009.

Transcrito do Blog http://intelindaiatuba.wordpress.com/author/palomachado/

Em Ubatuba, 01 de Agosto de 2009.

Contribuição do Evans para a produção de Blogs

Olá!
Alguns sistemas de Blog disponíveis são:

Weblogger (em português)
BliG (em português)
Pop Blog (em português)
Blog-se (em português)
Blogger.com.br (em português)
My 1 blog (em português)
WordPress (em português e inglês)
Pitas (em inglês)
Diaryland (em inglês)
LiveJournal (em inglês)
The Open Diary (em inglês)
Xanga.com (em inglês)
Blog-City (em inglês)
Blog Studio (em inglês)
WebCrimson (em inglês)
Blogsome (em inglês)

Um abraço, Evans.

Nota da Paloma:
À lista do Evans, eu acrescentaria: Spaces (em português)

Aprendizagem por Projetos: O Desafio da Avaliação

A forma de entender o currículo (inclusive o chamado “currículo oculto”) e a metodologia que adotamos para implementá-lo afetam decisivamente nosso entendimento e nossa prática da avaliação dentro da escola.

Para demonstrar esse ponto, faremos um contraste entre a escola convencional e as Escolas Lumiar, coordenadas pelo Instituto Lumiar, com o qual temos o privilégio de trabalhar.

1. A Escola Convencional

A escola convencional apresenta, em linhas gerais, as características a seguir, divididas em duas grandes categorias: Referencial Teórico e Prática Pedagógica.

A. Referencial Teórico

Para os propósitos deste trabalho, o Referencial Teórico de uma escola consiste, de forma resumida, na Visão de Educação e na Visão de Aprendizagem.

a. Visão de Educação

Para a escola convencional a educação é um processo social de transmissão, de uma geração para outra, daquilo que se considera essencial no legado cultural de uma determinada sociedade (ou, em sociedades mais universalistas, do legado cultural da humanidade, ou, pelo menos, daquela parte da humanidade que constitui o “seu mundo”: o Ocidente, por exemplo).

O objetivo desse processo é duplo: de um lado, iniciar as novas gerações nas crenças, valores e práticas desse legado cultural; de outro, preservar o legado, e, assim, reproduzir as características essenciais da sociedade, permitindo que ela se mantenha no tempo.

Nesse processo, os principais agentes da educação são as gerações mais velhas (em especial os pais e os demais ascendentes) e os principais beneficiários são as gerações mais novas (em geral quando relativamente novas e, portanto, mais suscetíveis de influência). Em sociedades mais sofisticadas, em que o legado cultural é amplo e complexo, são designados agentes especiais – os educadores (professores, mestres, tutores, instrutores, etc.) – para se ocupar, in loco parentis, da transmissão, e instituições especiais – as escolas (academias, liceus, etc.) – onde a transmissão deve se dar. A tendência, nesse caso, é que os educadores, com o tempo, acabem por se especializar em determinadas “fatias” do legado a transmitir. Dependendo da amplitude e complexidade do legado, prolonga-se o tempo destinado à educação escolar. Em geral algo em torno de 8 a 12 anos de escolaridade (e que abrange crianças, adolescentes e jovens dos 6-7 aos 13/18 anos) é considerado normal, para sociedades mais desenvolvidas.

Nessa visão da escola convencional, a educação é algo que tem lugar, por assim dizer, de fora para dentro: a sociedade, através de suas gerações mais velhas ou de seus educadores, procura incutir na mente das gerações mais novas seus conhecimentos, seus valores, seus hábitos e costumes – sua forma de ver o mundo e de agir nele. E, embora se alegue que as gerações se beneficiam do processo, por se “socializarem”, a ênfase acaba sendo na preservação do legado cultural e na reprodução da sociedade. O resultado final dessas ênfases é o fato de que o foco da escola convencional é tipicamente passadista, porque se tenta garantir que o futuro será igual ao passado.

b. Visão da Aprendizagem

Para a escola convencional a aprendizagem é a contrapartida da educação. Se educar é transmitir o legado cultural, aprender é absorvê-lo, assimilá-lo, introjetá-lo. A maior responsabilidade por essa aprendizagem é de quem faz a transmissão. Do ponto de vista do aprendente, aprender é algo passivo, que só lhe exige atenção.

(Duas observações terminológicas aqui. O termo “introjetar” vem de “introjeção”, termo de origem psicológica que se refere ao processo mediante o qual uma pessoa [o paciente, numa relação terapêutica, ou o aluno, numa relação pedagógica] incorpora, o mais das vezes inconscientemente, as crenças, os valores e as atitudes de outrem [o terapeuta, o educador] na própria personalidade, tornando-os parte de si mesma. Aprender, na escola convencional, é isso: é um processo terapêutico de curar a ignorância do aluno. O termo “aprendente” é um neologismo que se torna cada vez mais freqüente, em substituição a aluno – que é simplesmente quem está matriculado na escola – e a educando – termo muito usado, mas que é, a nosso ver, substituído com vantagens pelo termo “aprendente”, que enfatiza, no contexto escolar, que a função do aluno é aprender – algo bem mais concreto do que educar-se ou ser educado. Assinale-se aqui que, embora o termo “educando” dê a impressão de que o aluno se educa, na escola convencional ele claramente é educado pelo educador.)

C. Prática Pedagógica

A Prática Pedagógica da escola convencional pode ser dividida, para as finalidades deste trabalho, em Currículo, Metodologia e Avaliação.

a. Currículo

O currículo define o que o aprendente deve aprender na escola.

Se a educação é entendida pela escola convencional como um processo de transmissão, às gerações mais novas, do legado cultural (crenças, valores e práticas) da sociedade, o conteúdo do currículo só pode ser entendido como um sub-conjunto organizado e, o mais das vezes, simplificado e devidamente censurado, desse legado, de modo a torná-lo absorvível e assimilável por mentes mais jovens.

Na escola convencional o currículo é geralmente organizado na forma de uma grade em que disciplinas e séries se cruzam para definir a “matéria” que deverá ser “dada” ou “entregue” aos alunos em sala de aula em cada período letivo, para cada turma (se a escola tiver mais de uma classe de uma mesma série). A matéria, que já é um sub-conjunto do legado cultural, é primeiramente fatiada em disciplinas (porque mais e mais os educadores-professores são especializados, e a especialização se dá numa disciplina), e, depois a disciplina é fatiada mais uma vez em séries, que correspondem mais ou menos às idades dos alunos, sem que haja, entretanto, qualquer preocupação com os interesses e as aptidões desses alunos.

Na escola convencional pressupõe-se que todos os alunos de uma mesma série (vale dizer, mais ou menos da mesma idade) devem apreender exatamente as mesmas coisas, no mesmo momento, do mesmo jeito – “um tamanho único veste todo mundo” (“one size fits all”). Pressupõe-se isso porque se assume que todas as crianças de uma mesma faixa etária são, em última instância, iguais. Se a experiência mostra que não são, esse fato é usado para que a escola os torne iguais, devidamente intercambiáveis. Assim, ainda que superficialmente se reconheçam diferenças individuais, passa-se por cima delas para garantir a padronização do processo – e do produto. Além do mais, é mais fácil lidar com um grupo que se pretende homogêneo do que com um grupo altamente heterogêneo. Na escola convencional é muitas vezes costumário agrupar os alunos em “avançados”, “médios” e “lentos”, para tentar reduzir a heterogeneidade mesmo dentro de uma mesma faixa etária.

Uma última observação sobre o currículo da escola convencional. Nele a preocupação pedagógica em regra vem se reduzindo ao “cognitivo” dos alunos. Em geral, não há grande preocupação com o seu desenvolvimento no sentido mais amplo (social, emocional, ético, por exemplo). Por isso, em geral, também não há maior preocupação com o chamado “currículo oculto”, isto é, com o valor pedagógico (que pode ser negativo) daquilo que se aprende (ou desaprende) fora da sala de aula – como, por exemplo, através da forma em que a escola recepciona e despede seus alunos diariamente, da maneira em que a escola é gerida, do grau em que o poder e responsabilidade são compartilhados, da participação no processo pedagógico que se espera do pessoal de apoio, do grau de atenção, respeito e mesmo carinho que todos os funcionários da escola dispensam aos alunos, do fato de os diretores e professores da escola colocarem (ou não) os filhos na própria escola em que trabalham, da administração da cantina ou do refeitório, das brincadeiras que a escola permite e incentiva nos intervalos, etc. Tudo isso, e mais ainda, faz parte do “currículo oculto”, que, em geral, está fora da preocupação pedagógica da escola convencional – como ficam fora dessa preocupação as atividades voltadas para o desenvolvimento social, emocional e ético dos alunos (para não falar em seu desenvolvimento estético ou até mesmo espiritual – num sentido não religioso).

b. Metodologia

A metodologia especifica como é que se vai aprender aquilo que o currículo define que se deve aprender. A metodologia que permite implementar o currículo da escola convencional é o ensino.

Há quem questione se “ensino” é metodologia. Mas é. O ensino é uma forma de apresentar a “matéria” aos alunos de forma dosada, estruturada e organizada, na expectativa (seria apenas esperança?) de que os alunos a absorvam, assimilem e introjetem. O educador (professor, mestre, tutor, instrutor) “dá” ou “entrega” a matéria aos alunos e estes a “recebem”, e, espera-se, “absorvem”, “assimilam”, “introjetam”.

Professores bons tentam fazer com que a apresentação da matéria aos alunos seja razoavelmente interessante, até mesmo divertida, para que o processo fique menos tedioso para eles, alunos. Os não tão bons costumam dizer que aprender é mesmo difícil e, na maior parte do tempo, cansativo e tedioso, até mesmo sofrido.

É sabido que, na escola convencional, o grau de assimilação das informações entregues pelos professores aos alunos é mínimo – talvez dez por cento, no curto prazo, menos do que isso no médio e longo prazo. (Incidentalmente, isso torna a escola convencional talvez a mais ineficiente de todas as instituições jamais criadas).

c. Avaliação

Por fim, na escola convencional, feita a escolha do Referencial Teórico e, em relação à Prática Pedagógica, do currículo e da metodologia, não é de surpreender que as formas preferidas de avaliação da escola convencional sejam o exame, a prova, ou, hoje em dia, o teste padronizado. A escola é totalmente padronizada: a matéria a ser “dada” é padronizada e a forma de “dar a matéria” também alcançou razoável nível de padronização. Nesse contexto, avaliar é testar – e um teste deve, em princípio, testar todo os alunos de uma série, pois todos, tais quais peças de uma operação fabril, devem exibir ou ter exatamente as mesmas características. (O diferente acaba sendo visto como defeituoso).

2. Lumiar, uma Escola Diferente

O que pretendemos apresentar a partir desta seção, no entanto, é uma escola diferente. Diferente no Referencial Teórico (visão de educação e de aprendizagem) e na Prática Pedagógica (currículo, metodologia – e, naturalmente, forma de avaliação).

A. Referencial Teórico

Novamente, o Referencial Teórico será dividido em Visão de Educação e Visão de Aprendizagem.

a. Visão de Educação

Nessa escola, educar não é dar a matéria (algo semelhante a encher um balde). Educar mais próximo de algo semelhante a acender uma luz: uma vela, por exemplo, que, por sua vez, vai, um dia, acender outras… (A imagem é de William Butler Yeats). Na realidade, a educação é o processo através do qual o ser humano se desenvolve – na sua totalidade e inteireza.

Educar, como aqui entendido, é um processo de dentro para fora, não de fora para dentro. Ele atende às necessidades e aos interesses das pessoas, individualmente (embora acabe, indiretamente, beneficiando a sociedade).

O ser humano, nasce incompetente, dependente, e, portanto, incapaz de assumir responsabilidade por sua vida. É através da educação que ele se torna competente, autônomo, responsável por suas ações e, no devido tempo, artífice de sua própria vida e, por conseguinte, de sua realização como pessoa, como profissional, como cidadão.

Esse processo é indispensável para a sobrevivência não parasítica do ser humano – mas vai além disso.

O ser humano tem uma natureza relativamente aberta, que lhe permite definir, em grande medida, o que ele deseja fazer de sua vida, isto é, o que ele quer se tornar como ser humano. É por isso que seres humanos podem definir ou escolher projetos de vida e alcançar realização pessoal que vai além da simples sobrevivência.

A educação, quando entendida como desenvolvimento humano, pode ser definida como o processo mediante o qual nos tornamos capazes de sonhar os próprios sonhos (autonomia) e de transformá-los em realidade (competência). Só nessas condições estaremos assumindo controle de nossa própria vida, nos tornando mestres de nosso destino, e assumindo responsabilidade por eles: pela vida e pelo destino.

Isso é possível porque seres humanos, embora nasçam incompetentes, dependentes e, portanto, incapazes de assumir responsabilidade pela própria vida, também nascem com uma incrível capacidade de aprender: é isso que torna a educação possível.

b. Visão de Aprendizagem

Aprender, aqui, no entanto, não é absorver e assimilar matéria: é tornar-se capaz de fazer coisas que antes não se conseguia fazer. Aprender é, portanto, expandir capacidades, construir competências. E isso não se faz ouvindo e prestando atenção ao que um professor diz numa aula – da qual os interesses dos alunos em geral passam longe.

Como é que aprendemos (dentro dessa visão)?

· Observando o comportamento de quem sabe (contexto social da aprendizagem)

· Desejando fazer o mesmo (motivação)

· Recebendo ajuda ou buscando preparar-se (estudando, pesquisando, etc.)

· Tentando fazer (ação, aprendizado ativo)

· Em geral fracassando nas primeiras tentativas (erro)

· Recebendo feedback e apoio (colaboração)

· Tentando fazer de novo (ação, aprendizado ativo)

· Alcançando sucesso limitado (existência de padrão)

· Recebendo incentivo e mais feedback (colaboração)

· Melhorando o desempenho (aperfeiçoamento)

· Às vezes alcançando alto desempenho (nos tornando “experts” – não necessariamente especialistas)

C. Prática Pedagógica

Novamente, a Prática Pedagógica será dividida em Currículo, Metodologia e Avaliação. Essa Prática Pedagógica será alicerçada no Referencial Teórico.

a. Currículo

Se educar é se desenvolver, se esse desenvolvimento se dá através da aprendizagem, e se aprender é dominar e/ou construir competências, o currículo adequado para esse referencial teórico não será uma grade de disciplinas e séries, mas, sim, uma Matriz de Competências que especifica que competências e habilidades básicas são necessárias para viver a vida como pessoa, profissional, cidadão e aprendente permanente no tipo de contexto em que a educação está acontecendo.

Na Lumiar a Matriz de Competências está organizada, em linhas gerais, segundo os Quatro Pilares da Educação da UNESCO, que servem como grandes categorias de competências ou, se se preferir, como “megacompetências”, a saber:

· Aprender a Ser: Competências de Natureza Pessoal

· Aprender a Conviver: Competências de Natureza Interpessoal

· Aprender a Fazer: Competências de Natureza Projetiva, Executiva, Produtiva, Empreendedora

· Aprender a Conhecer: Competências Exigidas para Aprender, Desaprender, e Reaprender – ou seja, Exigidas para Mudar, Inovar, Transformar

Dentro dessas grandes categorias, ou, por vezes, perpassando-as transversalmente, as competências são também organizadas da seguinte forma (sempre aberta a questionamentos e mudanças):

· Competências relacionadas ao movimento

· Competências relacionadas à percepção

· Competências relacionadas ao pensamento

· Competências relacionadas à imaginação, criatividade e inovação

· Competências relacionadas à linguagem verbal (materna e adicional, oral e escrita)

· Competências relacionadas a outras linguagens: números, grandezas, formas, gráficos, artes não verbais, etc.

· Competências relacionadas à gestão da informação e do conhecimento

· Competências relacionadas à comunicação e ao relacionamento interpessoal

b. Metodologia

Aprende-se principalmente tentando solucionar problemas e responder a questões reais – através de projetos de aprendizagem alicerçados em áreas de interesse. E o maior projeto de aprendizagem de todos é o projeto de vida: a escolha livre e autônoma da vida que se quer viver e a construção das competências requeridas para vivê-la. E o projeto de vida de cada um é único, porque cada um é único em seus interesses e talentos. Nada de “tamanho único” aqui. E, nessa visão, tudo na escola, tudo na vida, tem enorme potencial pedagógico, e o “currículo oculto” se desvela…

Como se assinalou atrás, na escola convencional espera-se que as crianças aprendam – mas o aprender que se espera delas é em geral um aprender passivo, um mero absorver, assimilar, introjetar de informações desconexas (divididas em matérias fatiadas em disciplinas e séries estanques) que, muitas vezes, não fazem o menor sentido, e, por isso mesmo, são facilmente esquecidas, porque foram selecionadas para inclusão no currículo sem a menor consideração dos interesses das crianças.

A proposta de que a aprendizagem escolar se faça predominantemente através da metodologia de projetos de aprendizagem cuja temática foi escolhida pelos próprios alunos – a pedagogia de projetos – procura reverter esse quadro, e de várias maneiras, dentre as quais selecionamos as que nos parecem mais importantes:

· A pedagogia de projetos de aprendizagem vê a educação, e, portanto, a aprendizagem como o principal mecanismo pelo qual o ser humano projeta e constrói a sua própria vida, e, portanto, como algo que lhe é natural e intrinsecamente motivador, procurando, assim, evitar que a criança seja vista como um ser essencialmente refratário à aprendizagem, que precisa, por isso, ser obrigado a aprender através de mecanismos artificiais de recompensas e punições que agem como motivadores externos;

· A pedagogia de projetos de aprendizagem incentiva a criança a explorar e a investigar seus interesses – as coisas que ela gosta de fazer e que gostaria de aprender – e atribui ao professor a responsabilidade de encontrar maneiras de, a partir desses interesses, tornar a atividade da criança útil no desenvolvimento das competências e habilidades básicas necessárias para que ela se torne capaz de sonhar seus próprios sonhos e transformá-los em realidade, procurando, assim, evitar que a criança seja obrigada a deixar de lado seus interesses, sua imaginação e sua criatividade ao entrar na escola;

· A pedagogia de projetos de aprendizagem procura evitar que a aprendizagem se torne algo passivo, e, por conseguinte, desinteressante, abrindo o maior espaço possível para o envolvimento ativo da criança, não só na concepção e na elaboração dos seus projetos de aprendizagem, mas também na sua implementação e avaliação, pois esse envolvimento não só a motiva (por estar relacionada com seus interesses) como torna a sua aprendizagem ativa e significativa – um real fazer mais do que um mero assimilar de informações;

· A pedagogia de projetos de aprendizagem procura, assim, estabelecer uma estreita relação entre a aprendizagem que acontece na escola e a vida e a experiência da criança, reconstituindo o vínculo entre seus processos cognitivos e seus processos vitais, pois os projetos que ela escolhe partem, inevitavelmente, de questões relacionadas à sua vida e à sua experiência que lhe parecem importantes e sobre as quais ela se interessa em aprender mais;

· A pedagogia de projetos de aprendizagem rejeita a noção de que todas as crianças devam aprender as mesmas coisas, pelos mesmos métodos, nos mesmos ritmos e nos mesmos momentos – independentemente de seus interesses, de suas aptidões, de seu estilo cognitivo, de seu estado de espírito, etc.;

· A pedagogia de projetos de aprendizagem não concentra, portanto, a atenção nos eventuais “pontos fracos” da criança, com o objetivo (que a escola tradicional compartilha com a linha de montagem da fábrica) de que todas as crianças estejam “padronizadas” (e, portanto, sejam intercambiáveis) ao final do processo de educação escolar, mas procura valorizar os interesses, as aptidões e os dons naturais de cada criança – ou seja, os seus pontos fortes;

· A pedagogia de projetos de aprendizagem busca, portanto, evitar que o objetivo do aprendizado escolar seja definido como a absorção, pela criança, de grandes quantidades de informação (fatos, conceitos, valores [apresentados como mero conceitos entendidos], procedimentos [apresentados como meras receitas passo-a-passo a serem seguidas], etc.), e que o aprender da criança seja visto como o sub-produto esperado da ação do professor (algo que se espera que o professor faça, através do ensino, e que a criança apenas “sofre”, em mais de um sentido), procurando caracterizar esse aprendizado como algo ativo, que a criança faz, à medida que desenvolve as competências e habilidades que a tornam capaz de sonhar seus próprios sonhos e de transformá-los em realidade;

· A pedagogia de projetos de aprendizagem procura evitar que o aprender seja um procedimento totalmente artificial, difícil e doloroso, que começa quando a criança entra na escola e termina quando ela, com enorme alívio, deixa a escola, e se torne o que deve ser, a saber, um processo natural, agradável e contínuo, que começa muito antes de ela entrar na escola (com o nascimento, ou mesmo antes) e termina apenas com a morte, sendo o tempo de permanência da criança na escola apenas um momento privilegiado de sua vida em que ela pode se dedicar, total e exclusivamente, à tarefa de projetar o restante de sua vida e de se capacitar para construí-la.

Conseqüências positivas do uso da metodologia de projetos de aprendizagem:

· Restabelecem a conexão entre a aprendizagem e a vida, entre processos cognitivos e processos vitais (Hugo Assmann)

· Permitem que os alunos redescubram o fato de que aprender é algo ativo, que faz sentido, porque tem relação com o seu desenvolvimento, com aquilo que têm interesse em fazer

· Ajudam os alunos a encontrar o prazer da descoberta, o encantamento na educação, o fascínio da aprendizagem e da vida

c. Avaliação

Dada essa base e esse contexto, avaliar é tudo menos aplicar testes padronizados que medem, quando o fazem, apenas o cognitivo. Como é que se avalia o desenvolvimento integral (cognitivo, emocional, social) de um aprendente, os seus interesses, o aperfeiçoamento de seus talentos, o projeto de vida que ele começa a esboçar, o progresso na direção da vida para a qual esse projeto aponta? Essa avaliação só pode ser feita de forma observacional, interativa, envolvida, constante, por todas as pessoas envolvidas no processo – inclusive o avaliado. Nessa avaliação se verifica se o aprendente está desenvolvendo as competências e habilidades requeridas para viver a sua vida e realizar o seu projeto de vida.

Para que isso seja feito, no entanto, há que haver mecanismos de registro diário de observações, instrumentos diversos, critérios de avaliação e indicadores de desenvolvimento — além de um sistema de gestão da aprendizagem que englobe currículo e metodologia. Não se consegue isso, hoje, sem tecnologia.

3. Projetos de Aprendizagem: Conceituação e Avaliação

São as seguintes as características essenciais de projetos de aprendizagem:

· Eles são de interesse dos alunos

· Os temas escolhidos pelos alunos

· Eles freqüentemente transcendem disciplinas

· Eles podem ser individuais ou coletivos

· Envolvem a construção de competências que os alunos ainda não dominam

· Permitem essa construção através da busca do interesse dos alunos

Assim sendo, os princípios basilares da metodologia de projetos de aprendizagem são:

· Foco no desenvolvimento de competências

· Ligação com o interesse dos alunos

· Riqueza de oferta, diversidade de opções, liberdade de escolha

Com isso chegamos à questão da avaliação da aprendizagem nos projetos.

A chave para a avaliação da aprendizagem nos projetos é clareza na formulação dos projetos. Para isso, um formulário adequado de cadastramento de projetos é indispensável. Além de dados mais burocráticos sobre o projeto (quando e onde vai ser realizado, sob a coordenação de quem, pré-requisitos, etc.), ele deve responder, pelo menos:

· Quais competências os alunos vão desenvolver no projeto?

· Como o projeto vai levar ao desenvolvimento dessas competências?

· Quais as atividades que serão realizadas em cada encontro?

· Que recursos necessários serão necessários para essas atividades?

· Como a aprendizagem dos participantes será avaliada?

A avaliação da aprendizagem nos projetos precisa estar amarrada às competências que o projeto pretende ajudar os alunos a desenvolver.

Aqui um esclarecimento se faz necessário, pois há uma questão importante que precisa ser discutida nesse contexto (que freqüentemente é utilizada para criticar o uso da metodologia de projetos).

Se os projetos de aprendizagem são organizados em função de temas do interesse e da escolha dos alunos, e se espera que, através desses projetos, os alunos desenvolvam as competências previstas no currículo através da busca de seus interesses, ou seja, competências que a escola considera importante ou mesmo essencial que desenvolvam, como se dá o “casamento”, ou seja, a combinação entre os interesses e a escolha dos alunos e o desenvolvimento das competências que precisam (e, às vezes, não desejam) desenvolver?

A resposta chama a atenção para pelo menos duas características importantes e interessantes da metodologia de projetos de aprendizagem. Quando estamos aprendendo, em geral, ou quase sempre:

· Há bem mais de uma maneira de aprender a mesma coisa;

· Aprendemos mais de uma coisa ao mesmo tempo;

· Ao buscar aprender uma coisa, aprendemos, muitas vezes sem estarmos conscientes do fato, também outras – às vezes até mais importantes.

Digamos, por exemplo, que uma menina de doze anos, que tem um papagaio que ela desconfia ser gay, se proponha a investigar a vida sexual dos papagaios (ou dos pássaros, ou mesmo dos animais, em geral), em particular se pode haver homossexualidade entre eles. Esse é um projeto, digamos, que desperta o seu interesse. Ao trabalhar para encontrar uma resposta à sua questão, ela provavelmente vai pesquisar a biblioteca e a Internet, vai entrevistar professores, biólogos, veterinários, vai observar papagaios, outros pássaros, animais em geral, vai registrar seus achados e suas observações, vai tentar organizá-los, vai refletir sobre eles, vai tentar inferir deles uma resposta à sua pergunta, vai procurar formular essa resposta de forma cuidadosa, respeitando a evidência que encontrou, vai tentar apresentar sua conclusão e o que a justifica de forma atraente e persuasiva, etc.

Ao descrever essa possível situação já mostramos quais competências importantes – essenciais, mesmo – essa menina estará desenvolvendo ao realizar o seu projeto de aprendizagem. A construção dessas competências é muito mais importante do que a resposta que ela vai encontrar para a sua pergunta original. E ela as terá desenvolvido sem ter muita consciência de que o estava fazendo. Mais importante ainda, ela poderia ter desenvolvido todas essas competências fazendo um outro projeto de seu interesse, que nada tivesse que ver com o sexo das aves.

Mais um exemplo simples ilustra o mesmo princípio. Se um grupo de crianças escolhe, num determinado horário, jogar futebol, com o apoio de um técnico-coordenador, seu interesse é jogar futebol, mas elas vão também aprender, ao mesmo tempo, freqüentemente sem o perceber, a trabalhar em equipe, a conviver com regras, a respeitar o adversário, a lidar com a derrota…

4. O Currículo Oculto e a Aprendizagem da Convivência e da Cidadania

Mas a Lumiar não se preocupa apenas com a aprendizagem formal que acontece no contexto dos projetos de aprendizagem. Ela se preocupa também com a aprendizagem que tem lugar, em contextos semi-formais e não-formais.

Uma das estruturas semi-formais de aprendizagem é a Assembléia Geral da Comunidade Escola – conhecida como a Roda. A Roda é o local em que se resolvem, de forma democrática e participativa, os problemas da rotina da escola. Todos podem participar, todos podem contribuir para a pauta, todos podem votar e, assim, aprovar, alterar ou revogar normas ou decidir as sanções para aqueles que violam essas normas.

Mas a Roda não é apenas um mecanismo institucional para gerir o cotidiano da escola: a Roda é um projeto de aprendizagem especial, voltado para a Aprendizagem da Convivência e da Cidadania – no próprio exercício da convivência e da cidadania! Ali se aprende a conviver, ali se forma o cidadão. Fala-se muito, hoje, sobre o papel da escola na formação dos alunos para o exercício da cidadania democrática. No entanto, na escola convencional tenta-se fazer isso (quando se tenta) num contexto fechado, autoritário, hierarquizado, não-democrático, não-participativo – em que os alunos nunca são chamados a exercer, praticar, vivenciar a democracia. E isso é uma contradição: a formação para a cidadania se dá no exercício da cidadania.

Mas a Lumiar tenta ir além ainda. Além de profissionais pedagógicos responsáveis por planejar, implementar, e avaliar os projetos de aprendizagem, cujas principais características devem ser paixão por alguma área de atividade e grande competência nessa área, profissionais esses que são chamados de mestres, ela tem profissionais pedagógicos responsáveis por agir como mentores e conselheiros dos alunos, e que são chamados de educadores. Eles possuem um grupo limitado de alunos – geralmente não mais do que vinte – e são responsáveis por acompanhar esses alunos durante toda a sua permanência na escola – diariamente e ao longo de todos os anos que os alunos estiverem na escola. Diariamente, eles recebem os alunos no momento de sua chegada na escola, supervisionam seu comportamento nos intervalos e no recreio, reúnem-se com eles ao final do dia para avaliar as atividades realizadas, levantar junto a eles os problemas que precisam ser levados para a Roda, para discutir com eles (em geral com base em notícias de jornal) o que está acontecendo no mundo escolar, para planejar atividades do dia seguinte.

Os mestres representam a especialidade, a mudança – os educadores, a generalidade, a continuidade…

Os educadores são os responsáveis, dentro da escola, pela interação com os pais dos alunos sob sua responsabilidade. Discutem com eles, na presença dos alunos, os problemas (de aprendizagem ou de relacionamento com os colegas, com os mestres, com os demais membros da comunidade escolar, ou até mesmo com a família) e as realizações destes, participam com eles do processo tripartite de negociação e contratação dos projetos de que os alunos irão participar, e realizam, periodicamente, avaliações longitudinais do desempenho e do desenvolvimento integral dos alunos.

5. Conclusão

Há muitos que imaginam que é possível melhorar a qualidade da educação oferecida em nossas escolas apenas procurando melhorando um de seus aspectos: o currículo, a metodologia, a forma de avaliar. Esperamos ter mostrado que isso não funciona. A escola só vai conseguir melhorar a qualidade da educação que oferece quando transformar-se como sistema. Transformar-se quer dizer ir além da forma presente, mudar o paradigma. Transformar-se como sistema quer dizer reinventar-se em todos os seus aspectos: Referencial Teórico e Prática Pedagógica (como discutidos anteriormente).

Iludem-se especialmente os que acreditam que podem melhorar a qualidade da educação oferecida em nossas escolas apenas substituindo testes, provas e exames por diferentes formas de avaliar. As formas de avaliação dependem do currículo e da metodologia, e estes dependem da visão de educação e da visão de aprendizagem. Não funciona, portanto, mexer apenas na conseqüência, sem mexer nos antecedentes. Tudo está interligado, como um sistema.

Esperamos que a experiência das Escolas Lumiar possa servir como foco para uma discussão frutífera dessa questão.

(*) Paloma Machado é atualmente Diretora Pedagógica do Instituto Lumiar e Diretora da Escola Lumiar na Bela Cintra, em São Paulo. Formada em Pedagogia pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas – SP, em 1997, Paloma Machado, também consultora educacional, trabalhou durante 7 anos na Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura de São Bernardo do Campo – SP, tendo, entre suas especialidades, o uso da tecnologia no processo de aprendizagem e a aplicação da metodologia de coaching no processo de formação de professores.

Eduardo Chaves é atualmente Presidente do Instituto Lumiar, ONG responsável pelas Escolas Lumiar, e membro do Conselho Consultivo Internacional do programa Partners in Learning (Parceiros na Aprendizagem), da Microsoft Corporation. Foi Professor Titular de Filosofia da Educação e Filosofia Política da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) durante trinta e dois anos, de 1974 até o final de 2006, ocasião em que se aposentou. Ele obteve seu Ph.D. em Filosofia pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, em 1972.

Avaliação de Competências na Escola: Instrumentos, Indicadores, Critérios, Conceitos

Avaliar é aferir em que medida um processo ou um estado de coisas está de acordo com o planejado, esperado ou desejado.

No caso da avaliação de competências, o foco está no desenvolvimento (processo) e na posse (estado de coisas), por parte dos alunos, das competências que a escola espera que aprendam. Ou seja: o foco está na comparação da efetiva aprendizagem dos alunos com as expectativas que a escola tem acerca dessa aprendizagem.

A principal dificuldade na avaliação de competências está no fato de que, muitas vezes, é difícil, ou até mesmo impossível, observar diretamente se um aluno está desenvolvendo ou já possui determinada competência, porque esta não é diretamente observável ou não é fácil observá-la. É relativamente fácil observar se uma pessoa possui a competência de, digamos, andar de bicicleta. A competência de dirigir um automóvel, porém, é mais complexa, requerendo mais observações, talvez por um período mais prolongado. Mas não é fácil observar se uma pessoa possui a competência de, digamos, pensar criticamente. Nesse caso, procura-se definir operacionalmente a competência em questão (pensar criticamente), e especificar indicadores que apontem para o desenvolvimento ou para a posse dessa competência. Indicadores típicos nesse caso seriam:

· A capacidade de apresentar e analisar evidências e argumentos em favor de determinados pontos de vista, ou contrários a eles, e julgar seus méritos;

· A capacidade de adotar idéias, atitudes e comportamentos que vão contra a corrente e de defendê-los diante de críticas;

· A capacidade de não se deixar influenciar por propaganda comercial ou política, ou por outras tentativas de direcionamento de crenças, atitudes e comportamentos, de manipulação ou de proselitização.

Cada uma dessas capacidades seria um indicador parcial da posse ou do desenvolvimento da competência de pensar criticamente. O conjunto delas seria, talvez, um indicador razoavelmente completo da competência.

Para usar um exemplo de outra área, é difícil – quiçá impossível – observar diretamente o estado da saúde da população num determinado lugar e tempo. Por isso definem-se indicadores de saúde. A mortalidade infantil (número de crianças nascidas vivas que morrem antes de completar um ano de idade para cada mil nascimentos) é geralmente considerada um indicador parcial confiável da saúde da população.

Dada essa sua natureza, há algumas características básicas que indicadores devem possuir:

· Eles devem ter relação relevante, pertinente e, se possível, evidente com aquilo que se deseja avaliar (i.e., com aquilo para que apontam ou de que são indicadores);

· Eles devem ser mais claros, precisos e mensuráveis do que aquilo que se deseja avaliar (i.e., do que aquilo para que apontam ou de que são indicadores);

· Eles devem ser de tal natureza que é possível obter informação confiável sobre eles através de instrumentos adequados.

Mas a especificação de um indicador, ou mesmo de um conjunto de indicadores, não é suficiente para a avaliação… É preciso também especificar, para cada indicador, uma série de critérios. No caso da mortalidade infantil, é preciso detalhar qual o intervalo em que se situam taxas aceitáveis e inaceitáveis de mortalidade infantil (assumindo que zero seria a taxa mais aceitável, mas dificilmente realista). Pode-se, por exemplo, dizer, como se faz em países desenvolvidos, que uma taxa de até 10 crianças que morrem com menos de um ano de idade para cada mil nascimentos vivos é aceitável – mas que qualquer coisa acima disso é inaceitável. No caso da avaliação de competências, critérios especificam em que medida um determinado indicador deve estar presente para que se possa concluir que a competência em questão está, digamos, plenamente desenvolvida, suficientemente desenvolvida, parcialmente desenvolvida, não desenvolvida…

Por fim, rótulos como “plenamente desenvolvida”, “suficientemente desenvolvida”, “parcialmente desenvolvida”, “não desenvolvida”, quando aplicada a competências, são conceitos possíveis para designar os diferentes estágios de desenvolvimento ou de posse de determinada competência.

1. RUBRICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO

O que chamamos de rubrica de uma avaliação é o conjunto de indicadores, critérios e conceitos usados para avaliar o desenvolvimento ou a posse de determinada competência.

As Rubricas de Avaliação de Competências são, por conseguinte, ferramentas criadas com o intuito de direcionar o foco do processo destinado a avaliar se um aluno já possui (estado) ou está desenvolvendo (processo) determinada competência. Essa ferramenta auxilia os educadores na definição de indicadores, critérios e conceitos utilizados na avaliação, tornando o processo de avaliação de competências mais objetivo (menos subjetivo), coerente e consistente.

Não devemos, porém, confundir a rubrica com o instrumento de avaliação. Mas é verdade que rubricas geralmente estão associadas a instrumentos específicos de avaliação. Instrumentos de avaliação são as ferramentas ou os mecanismos que nos permitem coletar as informações relevantes aos indicadores especificados.

Os principais instrumentos de avaliação de competências são a observação e a conversa com o aluno. Por meio da observação e da conversa, normalmente, os educadores coletam informações que lhes permitem aferir o desenvolvimento de competências pelos alunos. O registro rigoroso dessas informações é fundamental para o processo de avaliação.

Eventualmente lança-se mão também de outros instrumentos de avaliação, como textos elaborados pelos alunos, trabalhos de outra natureza (desenhos, quadros, esculturas, maquetes, etc.) que eles realizem, questionários, e até mesmo provas. Independentemente do instrumento de avaliação utilizado, porém, as Rubricas de Avaliação de Competências devem ser utilizadas para tornar o processo de avaliação de competências mais efetivo.

2. A ELABORAÇÃO DA RUBRICA DE AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS

Abaixo se encontra um exemplo de Rubrica de Avaliação:

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Uma vez definida essa rubrica, ela poderá ser entregue aos próprios alunos (para sua auto-avaliação), e eventualmente a outras pessoas que participem do processo de avaliação, como, por exemplo: outros professores que estão desenvolvendo um projeto em conjunto; funcionários da escola, quando se quer avaliar aspectos em que os funcionários que acompanham os alunos nos diversos espaços da escola têm uma visão mais privilegiada; e até mesmo os pais, caso se queira avaliar aspectos em que os pais têm uma visão mais privilegiada. Isso permite uma maior coerência na avaliação coletiva, pois todos terão o mesmo foco.

As rubricas devem acompanhar os envolvidos na avaliação durante todo o desenvolvimento do projeto, desde o momento do planejamento, até a sua conclusão.

Isso inclui, naturalmente, os alunos, que deverão saber, antes de iniciar os projetos, em que aspectos serão avaliados e com que critérios. Portanto todos os alunos deverão estar de posse das rubricas que orientarão o processo de auto-avaliação, desde o início do projeto.

3. O FORMULÁRIO PARA A ELABORAÇÃO DA RUBRICA

O documento apresenta basicamente cinco partes:

 

A. Cabeçalho:

Identificação: nome da escola, data, nome do educador e série.

 

B. Competência:

Descrição da competência a ser avaliada. Essa competência poderá estar acompanhada de uma explicação que a detalhe mais (definição operacional), especialmente nos instrumentos que serão utilizados pelos alunos, em sua auto-avaliação. A competência é o foco principal desse instrumento de avaliação. Todos os registros que seguem estarão relacionados a ela.

 

C. Indicadores:

Especificação dos aspectos que deverão ser considerados na avaliação da competência. Imaginemos, por exemplo, dentro da competência mais geral e abrangente “Relações Interpessoais”, a competência mais específica “Desenvolver valores, posturas e atitudes positivas” é desdobrada nas seguintes competências ainda mais específicas: “Reconhecer igualdade de direitos”, “Colocar-se no lugar dos outros”, etc..

Para cada uma dessas competências os indicadores podem ser “Opiniões que os alunos manifestam sobre o assunto”, “Posturas que exibem em situações de conflito”, “Atitudes que assumem em situações em que outras pessoas têm seus direitos desrespeitados”, etc.

 

D. Critérios:

Esse campo é fundamental dentro do processo de avaliação de competências e é, possivelmente, o mais complexo de todos. Entretanto é o que mais garante a consistência da avaliação. Esse campo deve indicar os critérios que serão utilizados, em relação a cada indicador, para se aferir o nível de desenvolvimento da competência em questão.

Seguindo o exemplo acima, os critérios em relação ao indicador “Opiniões que os alunos manifestam sobre o assunto” poderiam ser “Respeita os direitos dos outros e procura se colocar no lugar dos outros”, “Admite que em alguns casos todos tenham os mesmos direitos, e nesses casos, se coloca no lugar dos outros”, “Concorda que deve tentar se colocar no lugar dos outros, mas não reconhece que todos têm os mesmos direitos”, e finalmente, “Não concorda que todos devam ter os mesmos direitos, e não acredita que deva se colocar no lugar dos outros”.

Em relação ao indicador “as posturas que os alunos exibem em situações de conflito” os critérios poderiam ser “Procura se colocar no lugar dos outros, reconhecendo os direitos iguais”, “Embora se esforce, não consegue respeitar os direitos dos outros e se colocar no lugar dos outros”, “Não se esforça suficientemente para respeitar os direitos dos outros e se colocar no lugar dos outros”, e “Desrespeita o direito dos outros, e não se coloca no lugar dos outros”. E assim por diante.

 

E. Conceitos:

Deve-se escolher, como conceitos, os termos que melhor representem o nível de desenvolvimento do aluno em relação à competência em questão. Por exemplo, podem ser adotados, em relação ao desenvolvimento de determinada competência, conceitos como os mencionados atrás: “plenamente desenvolvida”, “suficientemente desenvolvida”, “parcialmente desenvolvida”, “não desenvolvida”. Ou é possível adotar conceitos mais criativos, como “aprendiz”, “profissional”, “mestre” e “expert”. Pode-se, ainda, adotar ícones mais lúdicos, como “smiles”, especialmente na auto-avaliação de crianças.

4. CONCLUSÃO

Como já foi dito, o educador poderá organizar uma ferramenta dessas para cada competência que deseja avaliar. Na maioria das vezes as competências, os indicadores, os critérios e os conceitos serão os mesmos para todo o grupo de alunos. Entretanto, esse formato flexível permite que o educador defina competências, indicadores, critérios e conceitos específicos para os alunos de um mesmo grupo, de acordo com suas características e necessidades individuais.

O educador pode, ainda, definir junto dos alunos os indicadores, critérios e conceitos que serão utilizados no processo de auto-avaliação.

Recomenda-se diminuir a quantidade de competências a ser avaliada em cada aluno. Não será possível realizar uma avaliação consistente se não houver foco. Avaliar um menor número de competências em geral é avaliar melhor.

Paloma Epprecht e Machado

paloma@edutec.net 

25 de Abril de 2009

Relatório Reflexivo

Há dois dias publiquei um pequeno relato sobre o novo momento que estou vivendo em minha vida profissional.

O relato que publico hoje pode parecer meio redundante, mas foi escrito num outro contexto, e por isso traz muitas informações que eu já havia compartilhado neste Blog.

Trata-se de um Relatório Reflexivo sobre o HTPC (Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo) da nova escola em que estou trabalhando. A diretora, minha querida amiga Roseh, me desafiou a escrevê-lo logo em meu primeiro dia de trabalho. Aceitei o desafio… Compartilho-o com vocês a seguir…

 

No último dia 6 de Abril dei meus primeiros passos numa nova etapa em minha vida. Após sete anos, retornei à sala de aula, e estou realmente entusiasmada e sentindo-me privilegiada pela oportunidade de ter essa experiência de novo.

Durante o período em que estive fora da sala de aula, tive o privilégio de trabalhar com o uso pedagógico da tecnologia e com o universo fascinante da educação democrática e inovadora, em que pude aprender muito, mas muito mesmo!

Em minha vida pessoal, também passei por experiências profundas, às quais ainda estou tentando me adaptar. Não sei quantas pessoas que estão lendo (ou ouvindo) esse relatório já passaram por um processo de separação… O ponto mais frágil dessa experiência são minhas filhas, Bianca e Priscilla, de 12 e 10 anos. Elas eram e continuam sendo motivo de grande preocupação no último dia 6, inclusive durante o HTPC. Afinal de contas, era a primeira reunião noturna da qual eu participaria, deixando-as sozinhas em casa. Por causa delas eu ainda estou encontrando dificuldade para me organizar em minha nova rotina. Mas, felizmente, havia um feriado logo em minha primeira semana, e ele me ajudou nesse trabalho de auto-organização, e organização da minha rotina com elas.

Bem, mas o objetivo deste relatório reflexivo é falar sobre o HTPC, com o qual fui presenteada logo no primeiro dia de meu retorno. Considero que foi um presente especialmente porque houve a participação da Elma, e ela falou essencialmente de questões que muito me preocupam. Naturalmente não me refiro aos avisos sobre cotas ou procedimentos para solicitação de cópias, mas sim à questão da qualidade das atividades, de cujas solicitações de cópias chegam até as mãos da EOT. Sei que é difícil a tarefa de analisar atividades ou projetos propostos pelos professores, especialmente se há pouca interação entre quem faz a análise e os autores delas, os professores, durante a produção dessas atividades.

Eu digo que essas questões me preocupam porque eu nunca trabalhei diretamente com alfabetização antes, e sempre tive o maior respeito pelos profissionais que se dedicam a essa tarefa. Além de ser um desafio conduzir as crianças nesse processo de desenvolvimento de competências tão importantes para o seu desenvolvimento, dada a característica letrada da sociedade em que vivemos, há uma pressão muito grande de todos os lados, para que esse processo ocorra o mais rápido possível.

Diante de minha inexperiência, as contribuições da Elma, bem como da equipe que manteve o diálogo com ela, foram muito significativas para mim.

As questões que ela levantou, por exemplo, quando perguntou por que devemos utilizar caça-palavras com os alunos, me despertaram para a necessidade de refletir sistematicamente sobre cada atividade, cada atitude. Isso porque oferecer caça-palavras é algo tão comum, que eu nunca havia parado para pensar sobre a contribuição dessa atividade para os alunos.

Normalmente temos a tendência de reproduzir modelos. Em geral modelos que consideramos bem sucedidos. Mas nem sempre temos modelos bem sucedidos para seguir, e às vezes, mesmo as experiências bem sucedidas de uma pessoa não são garantia de sucesso em outra realidade, com outras pessoas, em outro momento.

Isso me lembra uma história que circula na Internet, algumas vezes atribuída ao Rubem Alves, que fala sobre como nascem os paradigmas. (http://tatudointerligado.blogspot.com/2007/03/como-nasce-um-paradigma.html). A lição dos macacos é de grande importância para qualquer profissional, mas especialmente para nós, professores, que temos em nossas mãos a responsabilidade e o privilégio de influenciar um grande número de pessoas (nossos alunos) com as nossas atitudes, por meio daquilo que chamamos de “currículo oculto”. Que tipo de seres humanos nós desejamos ajudar a formar? Aqueles que reproduzem as coisas, porque “sempre foi assim”, ou aqueles que percebem que podem pensar criticamente sobre as escolhas que fazem, buscando fazê-las de um modo diferente, inovador?

O interessante é que a Elma não trouxe simplesmente uma resposta pronta, do tipo: “Essa atividade é inadequada, e por isso não deve ser oferecida”. O que ela fez com o grupo foi um exercício de reflexão sobre o que buscamos com as atividades que preparamos. Ela chamou a atenção para aspectos positivos e negativos dessa atividade. Ela nos levou a refletir sobre a nossa intenção. E por trás dessa pergunta encontramos outra, ainda mais importante: Qual a nossa concepção de Educação, de Aprendizagem, de Currículo, de Metodologia, de Avaliação?

Para ajudar-nos a pensar sobre isso, indico o Blog não oficial da escola Lumiar, onde há uma série de artigos interessantes, que dizem respeito à Educação como um todo, e não somente às Escolas Lumiar: http://escolalumiar.spaces.live.com/

Quem considera a Educação o processo pelo qual as gerações mais novas recebem a herança cultural produzida pelas gerações anteriores, provavelmente entenderá que Aprendizagem é o processo de assimilação dessa herança cultural, e, portanto, que o Currículo deve estar focado nos conteúdos produzidos pelas gerações anteriores, e que a Metodologia mais apropriada para isso será o ensino, por meio do qual as informações são transmitidas. Nesse processo o instrumento de Avaliação mais adequado é a prova, que afere quanto do conteúdo foi assimilado pelos alunos.

Entretanto há aqueles que acreditam que a Educação é o processo pelo qual o ser humano se desenvolve e adquire autonomia para viver. A partir dessa concepção, Aprendizagem é um processo de desenvolvimento de habilidades e competências. Portanto, o Currículo consiste das competências consideradas importantes para os alunos desenvolverem. E qual é a Metodologia mais adequada para o desenvolvimento de competências? O ensino de conteúdos? Certamente não. A Metodologia mais adequada deve ser aquela que leva os alunos a “aprender a fazer” coisas, e não simplesmente “aprender” coisas.

Nesse sentido, a Metodologia de projetos de aprendizagem baseados na resolução de problemas, pode ser muito interessante, pois contribui significativamente para o desenvolvimento de competências pelos alunos. Pensando nessa Metodologia, certamente a prova não é o melhor instrumento a ser usado na Avaliação. A observação, interação e registro sistemático das informações obtidas são instrumentos muito mais eficientes para auxiliar nesse processo.

Interessante… Uma breve conversa sobre atividades de alfabetização / letramento às vezes pode nos levar a reflexões profundas.

É verdade que muitas dessas questões já nos intrigam há algum tempo, mas para mim, nesse novo momento que estou vivendo, pensar nelas estando dentro da sala de aula tem um significado completamente diferente.

No final de semana que precedeu o início do meu trabalho na escola, tive a oportunidade de analisar os instrumentos da Provinha Brasil, aplicados nos meus alunos. Minha busca por informações relevantes naquele material me proporcionou uma experiência muito prazerosa de descoberta, de aprendizagem, de desenvolvimento de competências.

Tenho tido o privilégio de enveredar por esse caminho fascinante da descoberta de coisas, que para alguns é tão simples, tão banal. Talvez a beleza dessas descobertas esteja justamente na simplicidade delas. A cada conversa trocada com meus novos colegas de trabalho, seja no próprio HTPC, seja nas conversas rápidas de pátio ou de corredor, eu tenho me deliciado.

Espero que essa sede não passe. Espero que esse prazer não acabe. Espero que esse comportamento, quase infantil, da curiosidade, do desejo de aprender, não se apague. Do mesmo modo, espero manter-me sensível aos meus alunos quanto à sede e ao prazer deles em descobrir o mundo, contribuindo para que também eles não passem, não acabem.

 

Em São Paulo, 12 de Abril de 2009.

Interdidática São Paulo – 2009

De 1 a 3 de Abril aconteceu, no Palácio de Convenções do Anhembi, a Feira+Fórum+Seminários Interdidática. Eduardo e eu tivemos a oportunidade de comparecer ao evento durante os três dias.

No dia 2 nós demos uma palestra no Fórum, com o tema “A Tecnologia na Gestão da Aprendizagem Escolar”.

Abaixo segue o resumo da palestra e a íntegra de uma entrevista que concedemos à Denise Redel, da organização do evento. A entrevista foi publicada no Blog (http://www.interdidatica.com.br/blog/).

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Sinopse

A tecnologia pode ser usada na escola como ferramenta de produtividade, de aprendizagem ou de gestão. Nesta função, a tecnologia pode ser usada na gestão dos processos puramente administrativos (recursos humanos, materiais, instalações, finanças, etc.) ou na gestão dos processos pedagógicos.

Os chamados Sistemas de Gestão da Aprendizagem (SGA) em regra não fazem jus ao nome porque negligenciam o fato de que os processos pedagógicos têm um componente tipicamente operacional, que é privilegiado pela maioria desses sistemas, e um componente, em geral negligenciado por eles, voltado para especificar o que a escola espera que os alunos aprendam (currículo), através de quais processos espera que o façam (metodologia) e o que eles, de fato, aprendem (avaliação). Esse componente negligenciado, entretanto, deveria constituir o núcleo essencial dos SGAs.

A palestra vai discutir as funcionalidades que SGAs devem conter para fazer jus ao nome; os serviços que podem prestar aos gestores de unidades e de sistemas escolares, aos profissionais pedagógicos da escola, aos pais dos alunos, e aos próprios alunos; e a contribuição que podem trazer para a personalização da educação e para a melhoria de sua qualidade.

Ficará evidente, ao longo da exposição, que apenas um sistema que utilize tecnologia sofisticada, tanto no nível dos bancos de dados como no nível da lógica do sistema e da interface com o usuário, pode atender a essas expectativas.

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Entrevista

1 – Qual a sua opinião sobre a iniciativa da Interdidática em idealizar este evento?

Hoje em dia são imprescindíveis os congressos que procuram discutir a educação — em especial o papel que a tecnologia pode ter, tanto na melhoria do acesso da população aos ambientes e processos formais de aprendizagem, como no aperfeiçoamento da qualidade da aprendizagem que ali ocorre. Dentre esses congressos, a Interdidática tem destaque especial no Brasil.

Eventos voltados para o uso da tecnologia no treinamento já são bastante consagrados na área corporativa de nosso país. Entretanto, na área da educação, o Brasil ainda tem muito espaço para crescer. Estivemos recentemente na BETT (British Education and Training Technology), na Inglaterra, considerado o maior evento mundial voltado para o uso da tecnologia na educação. Ali constatamos o quanto o Brasil ainda pode crescer e percebemos as diversas direções em que esse crescimento pode se dar. A Interdidática é um excelente veículo para esse crescimento e para a exploração de novos caminhos.

2 – Sobre a sua palestra, quais seriam os pontos fortes, as novas idéias que serão apresentadas?

Quando se fala em tecnologia na educação, normalmente dois aspectos são considerados. Um se refere ao uso da tecnologia no processo de aprendizagem dos alunos. O outro se refere ao uso da tecnologia na gestão da escola.

O uso da tecnologia na gestão da escola pode ainda ser dividido em dois aspectos: a gestão da escola como instituição e a gestão da escola como ambiente de aprendizagem. No primeiro aspecto a tecnologia tem contribuído com sistemas de contabilidade, folha de pagamento, controle de estoque, recursos humanos. No segundo aspecto, porém, que envolve a gestão da aprendizagem, o foco tem ficado quase que exclusivamente na administração de horários, salas, materiais pedagógicos, notas dos alunos, histórico escolar, etc. – com a aprendizagem, propriamente dita, ficando no segundo plano.

O que a nossa palestra pretende mostrar é que a razão de ser da escola, seu fim essencial, está na aprendizagem dos seus alunos. Todas as outras questões, tanto as envolvidas na gestão da escola como instituição (contabilidade, etc.), como as envolvidas na gestão da escola como ambiente de aprendizagem (horários, salas, etc.) precisam ser encaradas como meios para a atividade fim da escola, a aprendizagem dos alunos. Isso significa que o foco de sistemas de gestão da aprendizagem, sem negligenciar as questões de horário, salas, etc., precisa se deslocar para o processo de aprendizagem: currículo (o que os alunos devem aprender?), metodologia (como os alunos devem aprender?), avaliação (como determinar se os alunos aprenderam?).

A partir disso, a questão discutida passa a ser qual o papel que a tecnologia pode ter na gestão da aprendizagem dos alunos (currículo, metodologia, avaliação). Para a discussão dessa questão vamos apresentar um sistema, desenvolvido pelo Instituto Lumiar em parceria com a Microsoft, que incorpora essa visão e pode contribuir para a gestão da aprendizagem de qualquer escola que queira adotá-lo, sem qualquer custo.

3 – Por que vocês acham importante participar de um evento como a Interdidática (do ponto de vista dos palestrantes e para os visitantes também)?

Há muitas instituições e profissionais que investem na busca de inovação no uso da tecnologia na educação, e muitas têm conseguido resultados bastante interessantes. Trocar essas experiências é um grande privilégio, tanto para nós, palestrantes, quanto para as pessoas que visitam o evento.

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Em São Paulo, 10 de Abril de 2009.

Um novo tempo… Em minha carreira também.

Em Janeiro de 2008 iniciei uma experiência mágica em minha carreira. Após cinco anos trabalhando com formação de professores para o uso pedagógico da tecnologia, e também com implantação de laboratórios de tecnologia da informação nas escolas da rede municipal, tirei uma licença da Secretaria de Educação e Cultura de São Bernardo do Campo, e fui para o Instituto Lumiar, realizar o sonho de trabalhar com a proposta inovadora daquelas escolas, ao lado de meu, então, amigo Eduardo Chaves.

Minha tarefa, privilegiada, era assitir ao Eduardo, presidente do Instituto, na difícil tarefa de articular o referencial teórico com a prática pedagógica da escola. Na ocasião havia duas escolas, uma em São Paulo, na Rua Bela Cintra, e outra em Santo Antônio do Pinhal, próxima de Campos do Jordão.

Meu trabalho se restringia à Lumiar de São Paulo, pois minha amiga Daniella Dupont era responsável pela escola de Santo Antônio do Pinhal, que fica no bairro do Lageado, zona rural da cidade. A Lumiar de lá é fruto de uma parceria entre a prefeitura e o Instituto. Portanto, trata-se de uma escola pública, que implementou de forma muito bem sucedida a metodologia da Lumiar.

Após alguns meses, ainda pelo Instituto, assumi a função de coordenadora pedagógica da escola da Bela Cintra. A partir de então, eu não apenas identificava as necessidades e propunha estratégias, mas também cuidava de sua implementação, junto à gestão da escola e à equipe de tutores e mestres.

Algum tempo depois, em função de algumas mudanças na escola, acabei assumindo a direção da escola, “emprestada” pelo Instituto, até que fosse possível a contratação de uma nova pessoa para a direção. Essa fase coincidiu com um período de profundas mudanças em minha vida pessoal. De um instante para outro eu me vi em meio ao período mais turbulento de minha vida, com importantes desafios em meu trabalho, e seríssimos desafios em minha vida pessoal.

Enfim, tudo passa, e aquela fase difícil também passou… Após dois meses, dois tutores assumiram a co-direção da escola e eu voltei ao trabalho no Instituto Lumiar, que vislumbrava novas perspectivas.

Com a proposta pedagógica mais consolidada e a prática pedagógica caminhando para ficar mais afinada com a proposta, o Instituto começou a investir em projetos na Europa, inclusive contratando uma pessoa para atuar em Londres. No Brasil, uma nova escola começou a ser gerada. A Dani iniciou e eu dei prosseguimento ao processo de implantação da Escola Lumiar Internacional, uma escola bilíngüe, também localizada em Santo Antônio do Pinhal (ao lado da outra escola). A escola bilíngüe começou a operar em 2009.

No final do ano, a Dani acabou sainda do Instituto, e eu passei a coordenar pedagogicamente as três escolas. Foi um tempo muito especial, de grande aprendizagem. Durante todo esse tempo, tive oportunidade de participar de alguns eventos nacionais e internacionais, dando palestras sobre a experiência da Escola Lumiar. Os eventos internacionais estavam relacionados à parceria da Lumiar com a Microsoft.

Felizmente poderei viver sentindo que tive o privilégio de contribuir, ainda que um pouquinho, para o processo de construção de uma escola inovadora, que busca, em suas próprias contradições, caminhos novos que a aproximem da utopia de sua proposta.

Como saldo desse período em que trabalhei lá, a matriz de competências, que é o currículo da Lumiar, foi aperfeiçoada, a organização dos projetos de aprendizagem foi reestruturada, e o processo de avaliação de competências começou a ser estruturado.

No entanto, após quatorze meses que revolucionaram a minha vida, por razões essencialmente pessoais, tive de fazer uma escolha. Minha licença de São Bernardo do Campo estava para terminar e eu deveria decidir se me exoneraria, ou se retornaria. Ponderei muito e concluí que deveria voltar – não mais para a Secretaria de Educação, mas sim para a sala de aula. Decidi que queria, após tantos anos longe da sala de aula, experimentar, bem de perto, tudo aquilo que eu aprendi e até ajudei outras pessoas a aprender sobre a metodologia de projetos de aprendizagem, focados no desenvolvimento de competências, sobre a avaliação de competências, e o uso pedagógico e inovador da tecnologia.

Retomei o trabalho em São Bernardo no último dia 6. Foi emocionante! Minha turma, de 25 alunos, é realmente especial. Tenho dois alunos considerados como portadores de necessidades educacionais especiais, mas, sinceramente, questiono esse diagnóstico…

Tenho tido o privilégio de desenvolver competências relacionadas ao trabalho de alfabetização, que, infelizmente, nunca tive oportunidade de desenvolver. Para acrescentar a cereja que faltava no meu pudim, estou tendo a honra de trabalhar na escola que minha querida amiga Roseh dirige. Realmente está sendo um tempo muito bom…

Como se tudo isso não bastasse, fui convidada por minha, também, grande amiga Mary Grace, a trabalhar em um projeto de formação de professores da Fundação Telefônica e do Cenpec, que mistura o uso pedagógico da tecnologia, reflexão sobre a gestão e qualidade da educação e a erradicação do trabalho infantil. O projeto se chama Programa Aula Fundação Telefônica.

Sou muito grata a Deus por TUDO o que Ele tem permitido que eu viva… Até pelas coisas que ainda não estão tão perfeitas…

Agora estou aqui, durante este feriado de Páscoa, trabalhando com bastante entusiasmo. Após três dias de aula tive o privilégio de parar para me organizar, planejar, estruturar materiais e me preparar melhor para começar de fato esse novo tempo em minha carreira…

Em São Paulo, 10 de Abril, de 2009.

Jantar Agradável

Que coisa boa é poder sair com amigos queridos…

Acabamos de retornar de um jantar muito agradável em uma pizzaria de São Bernardo do Campo.

Música ao vivo de ótima qualidade cantada por Dilma Ramalho. À mesa, a companhia gostosa de Mary, Rose, André e João Lucas (ainda na barriguinha da Rose).

No restaurante várias outras colegas de São Bernardo, atraídas pelo talento da Dilma. Eduardo pertinentemente sugeriu que a cantora recebesse pelo menos 50% do faturamento, pois, certamente, a maior parte da clientela escolheu o local por causa dela.

Precisamos repetir isso mais vezes… Não custa caro e é tão bom!

Isso é viver uma vida frugal.

Acho que agora teremos mais oportunidades… 🙂

Em São Paulo, 20 de Março de 2009.

Minha Filha

Para começar a aquecer esse blog, vou publicar a última coisa que publiquei em meu antigo blog “Professora Paloma”.

Trata-se de uma pequena homenagem que fiz à minha filha mais velha, Bianca, em seu aniversário do ano passado, no dia 04 de novembro.

Segue a transcrição abaixo.

Em São Paulo, 18 de Março de 2009.

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O Nascimento

Há exatos doze anos minha vida estava prestes a se transformar definitivamente.

No dia anterior eu havia recebido em casa alguns amigos e parentes para um evento muito especial: O “Chá da Bianca”.

Minha gestação havia atingido o oitavo mês havia uma semana.

Minha barriga estava grande e pesada, mas muito bonita. Não tão bonita quanto a pessoinha que dentro dela estava… Minha primogênita Bianca.

Aguardávamos ansiosamente por sua chegada. Um presente de Deus, a despeito das previsões pessimistas de minha médica, que, em função de uma dupla incidência de trombose ocorrida sete meses antes da gravidez, achava que aquela gestação poderia complicar minha saúde.

Lá estava eu, naquela manhã do dia 03 de novembro de 1996. Amanheci sentindo algumas dores… Tão leves, tão delicadas, como a Bianca.

Aparentava uma leve cólica, porém, como eu poderia sentir cólica, se estava grávida?

Minha inexperiência não me permitiu perceber que aquele era o início do trabalho de parto…

Após algumas horas sentindo aquelas leves dorzinhas, notei que o intervalo entre uma dor e outra diminuía a cada novo evento, então percebi que o nome daquela cólica, na verdade, era contração. Meus Deus! Estava chegando a hora!!!

Corremos para o hospital e ao ser examinada: – A Sra. está em trabalho de parto! Afirmou a auxiliar de enfermagem…

Senti muito medo. O que me aconteceria nas próximas horas?

Minha médica estava retornando de uma viagem e por telefone discutiu com a enfermeira a possibilidade de segurarmos por mais algumas semanas aquela gestação, afinal havia apenas 36 semanas que eu estava grávida.

A decisão: eu deveria retornar para casa, permanecer em repouso absoluto e tentar prolongar ao máximo aquele processo de parto que se iniciara.

Contrariando, no entanto, as orientações médicas, continuei passeando por todo o dia, sentada no carro, na companhia de dois primos que moravam em Santos e estavam em casa em função do Chá da Bianca.

Ao final do dia, por volta de dez horas da noite, enquanto os primos eram levados à rodoviária, eu, em casa, sozinha, percebi que aquela dorzinha que me acompanhou o dia inteiro havia se tornado mais compassada.

Notei que algo diferente havia acontecido, e, ao conseguir contato telefônico com minha médica, que estava na estrada, a caminho de São Paulo, retornando de uma viagem ao interior, soube que aquilo que havia acontecido era conhecido como a saída do “tampão”. Em outras palavras eu deveria me dirigir imediatamente ao hospital, e a médica se encontraria comigo lá em seguida.

Fiquei bem assustada!

Ao chegar ao hospital, por volta de onze da noite, novo exame e o diagnóstico da auxiliar de enfermagem havia ganho um elemento novo: “franco”. Eu agora estava em “franco” trabalho de parto!

Não havia outra possibilidade, senão a de trazer a Bianca ao mundo, naquela mesma noite.

Fiquei apreensiva… O que aconteceria nas próximas horas, minutos?

Fui levada de cadeira de rodas para uma sala e iniciaram-se os preparativos…

Em seguida fui levada ao centro cirúrgico, onde parte da equipe da minha médica, Dra. Zenaide Sueli Alves, me aguardava.

Não demorou muito até que a própria médica chegasse. Após um exame rápido disse que a evolução estava perfeita, e que, pela dilatação constatada, em poucos minutos eu poderia ter um lindo parto natural.

Tive medo. Nunca gostei de sentir dor, embora a dor que eu sentisse naquele momento fosse leve e gostosa…

Disse a ela que não queria parto natural. Queria mesmo a cesárea, conforme havíamos planejado desde o início.

O anestesista, então, passou a me explicar o que aconteceria nos próximos minutos… Mais uma vez tive medo. A agulha era imensa e seria introduzida na base da minha coluna vertebral.

Nunca tive medo de injeção, mas daquele tamanho e naquele lugar!!!

Houve uma pequena complicação na hora da aplicação e eu fiquei apavorada.

A complicação foi rapidamente contornada, e em poucos minutos eu já não sentia minhas pernas, meu abdômen, meu peito.

A equipe passou a se preparar e eu, acordada, não parava de fazer perguntas. Curiosa, como sempre, queria saber tudo o que estava acontecendo. Não queria perder um procedimento sequer.

Minha médica, então pediu para aplicarem morfina em minha veia, para induzir-me ao sono.

Fui ficando sonolenta, com os sentidos bem afetados, mas resisti bravamente até o momento mais esperado da noite, exatamente quando o relógio marcava 00h57…

Minha filha, minha primeira filha, naquele momento, minha única filha. Pesando apenas dois quilos e novecentos e vinte gramas, medindo tão somente quarenta e seis centímetros.

Lá estava ela, respirando, nos braços da médica. Linda!

A médica a trouxe para perto de mim. Colocou-a em meu peito. Não pude abraçá-la, pois meus braços estavam presos por causa da medicação em minha veia.

Não sabia o que fazer! Não sabia como agir…

Lá estava eu diante do maior acontecimento da vida de uma mulher… Eu era mãe! E mãe da criatura mais meiga, delicada, sensível, tranqüila e doce que jamais existiu.

Bianca, minha filha, eu quero que você saiba que você mudou a minha vida. Eu nunca mais fui a mesma depois de sua chegada.

Com você aprendi muita coisa, e continuo aprendendo até hoje.

Você sempre foi a filha que toda mãe sonha, e continua sendo até hoje.

Desejo que você realize cada um dos seus sonhos, e que você seja muito, mas muito feliz.

Nunca se esqueça de que o amor que eu sinto por você é incondicional, e que, não importam as circunstâncias, ou quanto tempo passe, eu sempre te amarei, e sempre estarei pronta para acolher você em minha vida.

Eu te amo demais…

Um beijo especial e único de sua Mãe.

Em Campos do Jordão, 04 de Novembro de 2008.

Ano novo, Blog novo

Caros Amigos

Como muitos de vocês sabem, de fato o ano começou novo para mim. Por isso estou iniciando, a partir de hoje, um novo Space (embora o início do ano já tenha ficado para trás).

Esse é o terceiro Space que começo. O primeiro durou algum tempo, mas foi abandonado. O segundo teve apenas um post… 😦 Espero que este seja constantemente atualizado.

É sempre boa a sensação de começar uma coisa nova. Há um entusiasmo que nos faz crer que tudo o que não conseguimos antes, conseguiremos agora. Esse é o milagre do recomeço…

É isso… Estou recomeçando…

Em breve compartilharei outros recomeços com vocês…

Um abraço.

Paloma